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terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Memória FC: A seleção de 1986

A seleção que disputou a Copa do Mundo de 1986, no México, não era melhor do que aquela da Copa da Espanha, mas foi a que marcou na minha memória sentimental para sempre. Craques como Zico, Sócrates, Júnior e Falcão (um reserva de luxo) carregavam nos joelhos os traumas de mais de uma dezena de anos em campo, mas ainda eram capazes de desequilibrar (numa época em que o adjetivo craque era restrito a quem realmente entendia do riscado).

Não há como esquecer o senhor campeonato que fez Careca (um dos mais completos atacantes que já vestiram a amarelinha). Sem dúvida, depois de Maradona, o camisa nove brasileiro foi o maior destaque do mundial.

Outra surpresa foi o bom desempenho de Josimar, que viveu um quase conto de fadas na época. Terceira opção para a lateral-direita, o então atleta do Botafogo foi beneficiado com a desistência de Leandro (que não foi ao Mundial em solidariedade a Renato Gaúcho, cortado por Telê Santana após um caso de indisciplina) e com a contusão de Édson Boaro. Josimar foi titular nas últimas três partidas do Brasil naquela Copa, marcou dois gols antológicos e tratou de afundar sua promissora carreira nas drogas e na companhia de falsos amigos.



A seleção ainda contava com Branco na lateral-esquerda, um jogador que, ainda jovem, tinha a personalidade de um veterano em campo. Muito técnico, sabia defender e apoiar com perfeição, além de cobrar faltas com força e precisão (e, sinceramente, Roberto Carlos pode ter até maior reconhecimento internacional, mas Branco foi um lateral mais completo. A comparação do desempenho individual de ambos em Copas do Mundo justifica a minha opinião).

A zaga era formada por Edinho (que não precisa de apresentações) e Júlio César, eleito o melhor zagueiro-central no México, e depois esquecido pelos técnicos que substituíram Telê Santana no comando da seleção.

O encontro de Brasil e França, pelas quartas de final da Copa de 1986 foi o maior jogo já disputado em Mundiais (e que me perdoem italianos e alemães que estiveram em campo 26 anos antes, também no México , que travaram outro épico do esporte). Foi o meu Maracanazo pessoal, mas foi também a partida que me fez amar o futebol. O melhor exemplo de como o esporte pode levar deuses do céu ao inferno.

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