Não dá para ficar indiferente a listas. Há os que amam odiá-las e os que adoram fazê-las. Uma coisa, no entanto, é certa, sempre dão boas discussões. Não importa se é a lista do Pelé com os 100 melhores jogadores da história ou a lista com as barangas que já passaram pelo Fluminense. Sempre tem gente para discordar ou lembrar de algum injustiçado. E o mais importante: listas são ótimas oportunidades para usar toda a nossa cultura inútil. Nesse espírito de Rob Fleming, o Bicuda Futebol Clube dá o pontapé inicial nas suas listas, afinal, para ser diferente não é preciso criar, basta apelar para o lugar-comum!
#10 - O irmão chileno do RaíO São Paulo foi o primeiro grande esquadrão dos anos 1990. No início daquela década, o Tricolor Paulista conquistou todos os títulos imagináveis, atropelando times como Milan, Lazio, Barcelona e Real Madrid. Mais do que ganhar, os são-paulinos jogavam bonito, no estilo do mestre Telê Santana. Parte do sucesso do Tricolor se concentrava em Raí, que mandava prender e soltar no meio-de-campo. Quando o irmão de Sócrates foi vendido ao PSG, em 1993, os cartolas do Morumbi contrataram uma jovem promessa chilena para substituí-lo.Sob enorme badalação (com direito a helicóptero e mamãe chorando no estádio), Sierra chegou ao São Paulo, em 1994, com o objetivo de manter a qualidade na armação da equipe. Mas o compatriota de Valdivia, com grandes dificuldades de adaptação ao futebol brasileiro e sofrendo com uma série de contusões, acabou não vingando. E a maioria dos torcedores só foi se lembrar do tal Sierra quatro anos depois, na Copa do Mundo da França, quando o permanentemente contundido jogador são-paulino apareceu fazendo gol e comandando a equipe chilena na campanha de relativo sucesso naquele mundial.
#09 - Desafinando na terra do SertanejoO que um sérvio chinelo e um chinelo chileno têm em comum? Bem, se chegarem aos seus novos clubes de helicóptero... O Goiás tinha grandes pretensões em 2007. O clube esmeraldino há algum tempo fazia campanhas decentes nos Campeonatos Brasileiros, revelava bons jogadores (que o São Paulo logo comprava para montar seus times) e, na Libertadores do ano anterior, teve um bom papel. Um craque como Petkovic apenas somaria, mesmo estando claramente numa fase descendente.A contratação do sérvio foi muito comemorada pela torcida, pela diretoria e pelo técnico Geninho. Mas Pet não teve paz no Centro-Oeste. Contusões e problemas de relacionamento com os medalhões do elenco (enciumados com a repercussão nova contratação) acabaram por ofuscar o futebol do meia, que foi parar no banco. Descontente, Petkovic rescindiu seu contrato e saiu atirando para todos os lados, enquanto o Goiás passou por grandes vexames em 2007.
#08 - É meu, é meu, é meu!Cabecinha de boleiro é realmente difícil de entender. Como se não bastasse os altos salários, eles também precisam de carinho. Marcelinho Carioca tinha um dos maiores contracheques do Corinthians e era ídolo entre os torcedores, em 1997. A chegada de Túlio Maravilha naquele ano deve ter sido uma experiência traumática para o habilidoso meia do Timão.Da noite para o dia, Marcelinho virou coadjuvante diante do show de factóides diário que Túlio oferecia aos jornalistas. O Pé de Anjo também viu seu novo rival superá-lo no quesito salário: ganhava "apenas" R$110 mil mensais, enquanto o ex-camisa sete do Botafogo, R$150 mil. Pecados capitais que decidiram o futuro do atacante falastrão no Corinthians. Boicotado, Túlio amargou o banco de reservas na maior parte de sua curtíssima passagem pelo Timão, apesar de conseguir a artilharia da equipe no Paulistão, com 13 gols. Pouco aproveitado no alvinegro, o jogador partiu para o Vitória, que na época contava com o mesmo patrocinador do Corinthians.
#07 - Aqui se faz, aqui se paga (mas dependendo da furada, a grana não vale a pena)Pé de Anjo, Bocarra do Inferno. O amor de Marcelinho Carioca pelo Corinthians beirava à obsessão. Ricardinho foi outro que sentiu na pele a picardia do ídolo alvinegro. Em 2001, entretanto, o pentacampeão acabou prestigiado numa queda de braço com Marcelinho, que plantou diversas notícias, acusando-o de ser "dedo-duro". Após a confusão, Ricardinho ficou e o Pé de Anjo acabou saindo pela porta dos fundos.Tudo conspirava para que o queridinho de Luxemburgo fizesse uma longa carreira no Timão, mas, como o dinheiro às vezes fala mais alto, o meia não resistiu a uma proposta tentadora do São Paulo, onde receberia R$300 mil mensais, o dobro de seu salário no Corinthians. A Fiel não perdoou. Mágoas à parte, o novo reforço são-paulino ia bem, obrigado, no Morumbi, mesmo não repetindo as boas atuações que o levaram a ser convocado para a Copa de 2002, por causa do caldeirão de vaidades instalado no Tricolor Paulista.Os ditos pratas da casa, encabeçados por Gustavo Nery e pelo lateral Gabriel, não satisfeitos com o pouco reconhecimento da diretoria do clube nas renovações de contrato, promoveram a fritura lenta e gradual do ex-corintiano. Em campo, o meia sempre recebia bolas na fogueira e no pé direito, considerado menos habilidoso; e, fora das quatro linhas, todas as tentativas de aproximação com os colegas eram rechaçadas, como boicotes a churrascos promovidos pelo jogador. Sem clima entre alguns companheiros de time, com a eliminação prematura do São Paulo no Brasileirão de 2002 e com a cobrança excessiva de parte da torcida, Trezentinho (como era chamado pelos desafetos) pediu rescisão de contrato em 2003, sem nunca comentar abertamente sobre os bastidores de sua passagem no Morumbi.
#06 - A crônica de uma derrota anunciadaDinheiro não traz felicidade e nem compra títulos. O Cruzeiro em 1997 aderiu a uma das práticas mais esdrúxulas já vistas no futebol brasileiro: o aluguel de jogadores. Campeão da Libertadores pela segunda vez, o time mineiro tinha como meta vencer o seu primeiro Interclubes, no Japão, onde enfrentaria o Borussia Dortmund. O técnico Paulo Autuori saiu do comando do time logo após a conquista da América, devido a atritos com o falecido diretor de futebol celeste Morais, entrando em seu lugar Nelsinho Batista. Mau presságio.O desempenho pífio da equipe no Campeonato Brasileiro daquele ano fez a cartolagem cruzeirense acender o sinal vermelho. O sonhado Mundial estava ameaçado. Lembrando o Grêmio campeão do mundo em 1983 (que contratara Mário Sergio e PC Caju para a disputa do Interclubes), os Perellas foram atrás de três reforços de peso: o zagueiro Gonçalves e a dupla de atacantes Bebeto e Donizete Pantera. Foi o suficiente para parte da imprensa criar certa antipatia com a equipe mineira e para promover um racha no grupo, já que alguns jogadores que integravam o elenco durante a Libertadores ficaram de fora da relação dos que iriam a Tóquio. Resultado: Borussia Dortmund 2x0 Cruzeiro, com atuação para lá de apagada dos reforços de última hora. Um mico de proporções intercontinentais, quase um King Kong.#05 - O caro não compensaO dito "planejamento" também não é sinônimo de grandes resultados. Vanderlei Luxemburgo é um dos técnicos mais vitoriosos da história do futebol brasileiro, possui um currículo invejável e goza de uma quase unanimidade entre os jornalistas. Mas falta alguma coisa, já que não possui uma única Libertadores para contar história. Mesmo assim, o Santos mergulhou de cabeça no projeto do técnico, para colocar o Alvinegro Praiano mais uma vez em evidência nas Américas.Dá até para entender, Luxa tinha feito um bom trabalho no clube antes de rumar para o Real Madrid, conquistando o Brasileirão de 2004 (tudo bem, ele contava com Robinho e teve uma senhora ajuda do Atlético Paranaense, que praticamente entregou o título com derrotas bobas). Mas Luxemburgo é um técnico caro, com projetos igualmente caros e, apesar do tão falado planejamento, não consegue durar à frente dos times - ou "é saído", ou, quando consegue alguma coisa, impõe uma série de exigências, tornando impossível a sua permanência, um artifício normalmente usado quando pressente que a vaca está literalmente indo para o brejo. Resultado para o Peixe na última passagem do técnico: dois campeonatos estaduais, duas classificações para a Libertadores e os cofres vazios. Valeu a pena?
#04 - Uma trilogia que não agradou a público nem críticaO Santos tem buscado obsessivamente reviver o período dourado de Pelé. Chegou perto com a geração de Robinho, Diego, Renato, Elano, Alex e Léo, mas a impaciência da torcida com os anos de vacas magras e o esforço dos dirigentes em montar novos esquadrões invariavelmente resultam em dinheiro jogado fora. Coisa parecida acontece com o Fluminense, que segue tentando reeditar sem sucesso a Máquina Tricolor que marcou época nos anos 1970, com craques do quilate de Rivelino, PC Caju, Zé Mário, Mario Sérgio e Doval.Na primeira metade da década de 1990, o Flu tentou reeditar a Máquina montada por Francisco Horta, com Luís Henrique (que chegou a ser peça-chave na Seleção Brasileira de Parreira), Branco, Mário Tilico e Valdeir. O time não deu liga e ficou sem títulos. Os dirigentes tricolores, entretanto, não aprenderam a lição. Uma década depois, o Fluminense montou outro time bom de mídia e ruim de bola, com Roger, Romário, Edmundo e Ramon, medalhões que quase nunca conseguiram atuar juntos por causa das constantes contusões. Em péssimo momento técnico e físico, Edmundo e Ramon destoavam do restante do grupo. E na primeira vez que os quatro conseguiram iniciar juntos um jogo, o time perdeu para o maior rival, o Flamengo, por 3 a 2, na final da Taça Guanabara.#03 - O meu aniversário inesquecívelNão se pode dizer que times montados com medalhões nunca deram alegria ao Tricolor das Laranjeiras. Em 1995, para comemorar seu centenário em grande estilo, o Flamengo trouxe Romário (algo surpreendente e audacioso na época), contratou Branco, Válber, além de alardear o nascimento de (mais) um novo Zico, um tal Sávio. Todos sob a batuta do professor Vanderlei Luxemburgo.Tinha tudo para dar errado. E deu. O sonho do Carioca acabou numa barrigada de Renato Gaúcho (sentença ardilosa, heim?). Kléber Leite não entendeu o recado e foi curar a ressaca do campeonato estadual contratando Edmundo para formar o "Ataque dos Sonhos" com Romário e o tal Sávio. O trio dos sonhos fez a alegria das torcidas adversárias e transformou em pesadelo o ano dos sofridos flamenguistas.Bem, de alguma forma, foi um centenário inesquecível: derrota retumbante no estadual, 21ª colocação no Brasileirão e, fechando 1995, um vice na Supercopa dos Campeões da Libertadores, perdendo o título para o Independiente de Avellaneda em pleno Maracanã. No fim, a melhor coisa do trio formado por Romário, Edmundo e o tal Sávio foi a homenagem das torcidas rivais: "Pior ataque do mundo/ Pior ataque do mundo/ Pára um pouquinho/ Descansa um pouquinho/ Sávio, Romário e Edmundo".
#02 - Quando a gente pensa que já viu de tudoKléber Leite até que se esforçou para que o Flamengo ganhasse alguma coisa no ano de seu centenário. Apesar do insucesso, não foi tão infeliz quanto seu sucessor, Edmundo dos Santos Silva, que, além de ter manchado a história do clube, que saiu das páginas esportivas para entrar no noticiário policial, trocou duas das maiores revelações do Mengão nos últimos tempos, os atacantes Adriano e Reinaldo, por um Vampeta - então na Inter de Milão - que jogou bulhufas na equipe carioca.O resultado da negociação todos já sabem: Adriano, mesmo com as crises emocionais, vale um mar de dinheiro; Reinaldo é um atacante que qualquer time brasileiro gostaria de ter, hoje; e Vampeta saiu com a pérola "o Flamengo fingia que pagava e eu fingia que jogava".
#01 - A fábula do malandro agulhaVampeta foi um bom volante. Marcava bem e tinha uma ótima saída de bola. Mas o bom baiano nunca foi o malandro que pensa ser. Depois de se complicar com a polêmica declaração sobre os seus tempos de Flamengo; depois de fazer papel de bobo dando cambalhotas na rampa do Palácio do Planalto, quase perdendo a medalha de campeão do mundo na queda; depois de ser exposto ao ridículo e ter a vida particular devassada em rede nacional no programa da Luciana Gimenez; Vampeta embarcou na furada corintiana de 2007.Só a parceira entre MSI e Timão já merecia o primeiro lugar da lista, mas o malandro baiano roubou a cena. Divertiu a imprensa com as suas declarações "engraçadas" enquanto o Corinthians afundava; jogou pouco e mal; manchou para sempre sua condição de ídolo com a Fiel; e acabou virando alvo de gozações com o título de tri-rebaixado. O ex-ídolo do alvinegro mostrou que, em se tratando de malandragem, não passa de um malandro agulha.
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