Uma das pérolas do repertório de Johnny Cash, "A boy named Sue", conta a história de um garoto batizado com nome de mulher pelo pai ausente. Ao longo de um dos pares de minutos mais brilhantes do cancioneiro pop mundial, descobrimos que a sacanagem do pai canalha tem justificativa: como sabia que não estaria por perto, escolheu um nome de menina justamente para que Sue se tornasse um homem forte, já que teria de lidar desde cedo com as gozações dos colegas.
Numa paráfrase conceitual - se é que isso existe - o lateral-esquerdo do Flamengo, Juan, talvez seja o "Sue" do futebol brasileiro. Do alto de seus ridículos 1,67 metros de altura, provavelmente o esquentado jogador teve de desenvolver a personalidade irritadiça ainda criança para afugentar os valentões de plantão. Só os oprimidos, com doses cavalares de testosterona no organismo, sabem o que é ser homem, em que o simples ato de ir à padaria acarreta potenciais chances de entrar numa briga.
Diferentemente do que o óbvio ululante tenta propagar por aí, Juan não é indisciplinado ou encrenqueiro. Longe disso. Apenas está exercitando a sua masculinidade para melhor lidar com as relações humanas nesse mundo cão. Questão de personalidade. Não é sombra do lateral envolvente do ano passado, é certo. Na verdade, mais parece um Wagner Diniz acobertado pela caolha imprensa da Guanabara, em 2009. Mas, como dizem por aí, tudo no Flamengo é superlativo. De estalo que vira explosão a goleirinho mediano que vira "o melhor goleiro do Brasil".



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