Confesso que ainda não decidi sobre qual o melhor formato para o futebol brasileiro, pontos corridos ou mata-mata. Acho que há espaço para as duas fórmulas e outras questões mais importantes no ludopédio verde-amarelo a serem tratadas prioritariamente, como o calendário. Mas não há como deixar de questionar alguns argumentos dos defensores dos pontos corridos que encaram o sistema eliminatório como o "coisa ruim" em pessoa.
É um erro querer pensar a futebol brasileiro a partir de um olhar europeu. Tanto por questões geográficas quanto por questões sociais. Exaltar uma suposta meritocracia dos pontos corridos num país que peca pela desigualdade é querer enxergar uma república federativa com 26 estados e realidades diferentes somente pelos olhos São Paulo ou Rio de Janeiro.
É um erro querer pensar a futebol brasileiro a partir de um olhar europeu. Tanto por questões geográficas quanto por questões sociais. Exaltar uma suposta meritocracia dos pontos corridos num país que peca pela desigualdade é querer enxergar uma república federativa com 26 estados e realidades diferentes somente pelos olhos São Paulo ou Rio de Janeiro.
O fator econômico poda qualquer vestígio de condições de igualdade na relação entre clubes situados em estados mais ricos e os oriundos de economias mais modestas. Não bastasse o mercantilismo predatório, ainda há a segregação oficial promovida pelo Clube dos 13 - que teve papel importante na tentativa de profissionalização do Campeonato Brasileiro, mas hoje colabora com a asfixia financeira de quem ficou de fora do bolo.
É de fazer corar também os discursos sobre um suposto interesse da Rede Globo, dona dos direitos do futebol nacional, em favorecer a praça carioca, cujos clubes - vítimas crônicas de administrações ruins - só teriam chances de ganhar novamente um Brasileiro pelo sistema mata-mata. Aliás é interessante sobretudo a birra de quem - inebriado pelo viuvez de 1932? - sempre acha que a emissora dos Marinho tenta proteger a ex-Cidade Maravilhosa.
Nos corredores da Globo não há dúvidas que o mercado mais importante é o de São Paulo. A maior fatia do faturamento comercial da emissora está no outra ponta da Dutra. O jornalismo global está quase todo concentrado na Terra da Garoa. Futebol é negócio para os Marinho. As preocupações para a baixa audiência das transmissões de futebol, sobretudo em São Paulo, são legítimas. Pelo menos sob o ponto de vista dos diretores da emissora.
Em termos práticos, um argumento que se contrapõe às razões dos defensores dos pontos corridos está acima da Linha do Equador. O México - país que se aproxima mais da realidade brasileira em termos econômicos, sociais e geográficos, do que os europeus - conta com pelo menos seis clubes considerados grandes em seu campeonato e adota play-offs desde o início da década de 1970.
É um sucesso. Os clubes daquele país têm quase o dobro de faturamento financeiro em relação aos times brasileiros. A média de público se mantém há alguns anos entre 25 e 30 mil torcedores por jogo. A dependência do dinheiro da televisão é saudavelmente menor. Para quem se interessa por números, vale uma lida na última edição do Latin American Football Money League. Curiosamente, antes do mata-mata, os mexicanos disputavam o título por pontos corridos, mas a falta de dinheiro nos cofres dos principais clubes e o atraso no desenvolvimento do esporte naquele país forçaram os dirigentes a traçarem outros rumos. Prova de que não há fórmula pronta para um grande campeonato.
É um sucesso. Os clubes daquele país têm quase o dobro de faturamento financeiro em relação aos times brasileiros. A média de público se mantém há alguns anos entre 25 e 30 mil torcedores por jogo. A dependência do dinheiro da televisão é saudavelmente menor. Para quem se interessa por números, vale uma lida na última edição do Latin American Football Money League. Curiosamente, antes do mata-mata, os mexicanos disputavam o título por pontos corridos, mas a falta de dinheiro nos cofres dos principais clubes e o atraso no desenvolvimento do esporte naquele país forçaram os dirigentes a traçarem outros rumos. Prova de que não há fórmula pronta para um grande campeonato.




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