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domingo, 22 de março de 2009

Parada técnica

Parada para limpeza e arrumação do blogue.

Voltamos em abril.

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sábado, 21 de março de 2009

Como assistir ao futebol pela internet

Assistir a jogos dos principais estaduais, do Brasileirão, da Libertadores e mesmo dos grandes campeonatos europeus está a um clique de qualquer internauta que conte com o serviço de banda larga. Existe hoje na grande rede uma vasta gama de opções para torcedores de qualquer lugar do mundo acompanharem o time de coração. Como parte do conteúdo na WEB, a maioria das opções está com um pé no que a indústria costuma considerar "ilegal", mas que vieram para suprir uma nova demanda, ainda ignorada no Brasil.

A Globo.com, braço internético do conglomerado de comunicação dos Marinho, que há algum tempo detém quase todos os direitos de transmissão do futebol brasileiro, insiste em oferecer produtos pouco atraentes: vts on-line das partidas, transmissões da rádios afiliadas via internet e uma narração digital "ao vivo" (todas apresentando um grave problema de delay). E ainda que os atrasos sejam completamente incompatíveis com a urgência da WEB, a Globo.com insiste em ignorar as transmissões via tecnologia live streaming, um nicho hoje dominado por entusiastas amadores e pequenos piratas atrás de lucro fácil.

Uma das ferramentas mais utilizadas pelos internautas é o MegaCubo, um programinha de TV on-line bastante popular entre os brasileiros. A melhor maneira de o torcedor encontrar as partidas é por meio da opção "canais sendo assistidos". Ao lado esquerdo estarão listados, em ordem decrescente, a audiência dos canais. Na maioria das vezes estão no topo do ranking as transmissões de futebol (na verdade, retransmissões, uma vez que o sinal original é capturado e distribuído).

Para encontrar as retransmissões dos jogos de futebol no MegaCubo de forma mais fácil, o usuário deve optar pela funcionalidade "canais sendo assistidos"


Há ainda a possibilidade de assistir a partidas de futebol nacionais sem a instalação de um software específico. O site Justin.tv agrega um grande número de retransmissões caseiras voltadas ao esporte e é uma das opções prediletas de quem não deseja ocupar disco rígido e memória RAM para rodar mais um programa.

O Justin.tv agrega diversas retransmissões dos canais SporTV e ESPN


No quesito futebol internacional, o leque de opções é ainda maior. Há duas temporadas a Uefa oferece transmissões oficiais de live streaming, no sistema pay-per-view, com ótima qualidade de som e imagem (o que pede uma banda larga robusta) O preço costuma ficar em torno de €10.


O site da Uefa oferece partidas em pay-per-view com boa qualidade de vídeo. O serviço é pago e aberto a brasileiros


Apesar de explorar o sistema de forma pioneira há duas temporadas, a Uefa sofre com a concorrência desleal dos streamings piratas, que oferecem um sinal de menor qualidade, mas, na maioria das vezes, gratuito. Os sites mais conhecidos são o Soccer TV e o LiveFooty, que oferecem desde jogos da Champions League a partidas da liga polonesa. Cabe ao internauta escolher a melhor opção, de acordo com o bolso e com os dilemas éticos.

O LiveFooty só funciona no Internet Explorer. Usuários do Firefox devem baixar o plugin IE Tabs. Os horários dos jogos são marcados de acordo com o relógio no canto superior direito


Três perguntas sobre live streaming:

#01 - As transmissões live streaming são ao vivo?
Tecnicamente, não. Por se tratar de uma retransmissão dos sinais originais gerados pela televisão, há um atraso (delay) que pode variar de poucos segundos a um ou dois minutos. Contudo, comparado com os serviços de narração digital e rádio on-line, os jogos em live streaming,em geral, apresentam menor atraso em relação ao evento ao vivo.


#02 - Qual a qualidade das transmissões?
As qualidades de áudio e vídeo dependem das placas de mídia, da conexão com a internet e mesmo da fonte transmissora do sinal. Por se tratar de uma tecnologia recente, a qualidade é apenas regular. É recomendado aos tecnochatos que esperam imagem de TV digital passarem longe do atual sistema.


As retransmissões do Soccer TV são feitas por meio de programas P2P, como TVAnts e Sopcast


#03 - Quais sites transmitem jogos?
Justin.TV e Soccer TV (futebol nacional e internacional - gratuito), LiveFooty (futebol internacional - gratuito), site da Uefa (competições organizadas pela entidade - pago), entre outros.

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quinta-feira, 12 de março de 2009

Memória FC: Zico desmistificado

Eu poderia gastar algumas linhas rebatendo as injustas acusações contra Zico, de ser pé-frio e jogador de Maracanã, entre outras baboseiras recorrentes de torcedores ressentidos e pseudo-críticos bandeirantes. O camisa 10 da Gávea era gênio. Queiram ou não.

Apesar da genialidade, há muito lero-lero idealista em torno da carreira do Galinho. Sem falar no eterno beija-mão que a imprensa carioca dispensa ao ex-jogador.

Numa homenagem para lá de atrasada, seguem alguns fatos interessantes sobre um dos melhores boleiros de todos os tempos:


Zico em dia de Leandro Amaral

Que me desculpem os botafoguenses, mas há coisas que só acontecem com o América. Zico não defendeu o simpático clube tijucano por muito pouco. Ainda amador, jogando o fino da bola em campeonatos de futebol de salão e soçaite do subúrbio carioca, o futuro ídolo rubro-negro estava apalavrado com a cartolagem americana, após uma partida pelos infantis do clube. Eis que surge o Flamengo atravessando espetacularmente a negociação com o América. O coração rubro-negro do Galinho acabou falando mais forte.



Lusitano, sim; Vascaíno, não

O pai de Zico, o português José Antunes Coimbra, era flamenguista roxo, quase um daqueles torcedores caricatos. Nutria um ódio do Vasco devido a um trauma de juventude. Goleiro do Municipal e tricampeão da Liga Amadora, seu Antunes teve o sonho de defender as cores do Flamengo abortado por um vascaíno. Em tempos que se ganhava nenhuma mariola para jogar futebol, o pai do Galinho tirava o sustento numa padaria. Ao saber do interesse flamenguista naquele promissor goleiro, o dono da padaria, um vascaíno ferrenho, ameaçou-o de demissão. Seu Antunes acabou optando pelo trabalho. Mas a partir daí criou uma cisma peculiar com o time de São Januário. Às provocações sobre como era possível um português ser rubro-negro, José Antunes respondia, "Português é sabão e vascaíno, eu sou lusitano".

Para desespero do pai, Zico, ainda amador, chegou a cogitar a possibilidade de jogar pelo Vasco devido às dificuldades financeiras e geográficas para treinar no Flamengo. Numa época pré-Túnel Rebouças, ir de Quintino à Zona Sul do Rio despendia tempo e dinheiro. O ex-ténico do Galinho nas divisões de base do clube da Gávea, Célio de Souza, ao ser contratado pelo Vasco perguntou se o pupilo mais talentoso tinha interesse em ir para São Januário. Ao saber do convite, o dirigente flamenguista George Helal (aquele das Papeletas Amarelas), passou a bancar do próprio bolso o lanche e a ajuda de custo para o jovem craque.




Zico, o subversivo

Um dos momentos mais nebulosos na carreia de Zico é a não convocação para os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Destaque na campanha do Pré-Olímpico de 1971, na Colômbia, o Galinho acabou ficando de fora da lista de jogadores que iriam à Alemanha. As longas madeixas do jogador não eram bem vistas pelos militares que formavam a comissão técnica da antiga CBD e, para piorar a situação, os primos e um dos irmãos de Zico acabaram presos no DOI-Codi (órgão de repressão da ditadura militar brasileira). Zico pagou o pato e teve a sua maior decepção no esporte, chegando até a cogitar a possibilidade de abandonar o futebol.

Outras histórias saborosas da carreira do Galinho estão no livro Zico - 50 anos de futebol, de Roberto Assaf e Roger Garcia. Leitura recomendadíssima.

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terça-feira, 10 de março de 2009

How to be a hooligam #06

Goze com Goze da imprensa esportiva. Preferencialmente em cadeia nacional.





Via The Spoiler.

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Ronaldo e a Indústria Cultural

O maior frasista da dramaturgia brasileira, Nelson Rodrigues, certa vez sentenciou "ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina". É exatamente essa a impressão que fica em relação ao noticiário sobre Ronaldo dito Fenômeno.

Nunca questionei suas conquistas e méritos, mas a sensação é que, em se tratando do tal R9, tudo tende a certo exagero. De quem era esperado um mínimo de serenidade, sobram hipérboles. Um gol e alguns minutos em campo foram suficientes para decretarem em tom uníssono: Ronaldo está de volta.

É certo que o atacante brasileiro construiu em torno de si uma mística indelével de fênix futebolística. Pelo menos em campo, seu nome segue indestrutível. Os momentos de baixa são apenas suítes para os louros de um apoteótico retorno. Ainda que a saga ronaldiana não seja bem assim. Tanto no Real Madrid quanto no Milan, Ronaldo teve começos promissores, mas jamais conseguiu emplacar. Ora culpa das contusões, ora culpa dos prazeres da vida.

É claro que nenhum dos nossos coleguinhas jornalistas ousará ir na contramão. Tudo bem, cada um tem o direito a cultuar a mística alheia. Para quem está tão habituado ao bisturi quanto Ângela Bismarck, são mesmo feitos notáveis. Vejam o caso dos Estados Unidos, que só conseguiram exportar e fazer valer sua identidade como nação graças a Hollywood e aos filmes Western. Ronaldo e seu misticismo também são produtos da Indústria Cultural, assim como é quem vos escreve. E a Indústria Cultural engole todo mundo, não tem como ou para onde fugir.

Não parece, mas é. Beckham e Ronaldo são produtos do mesmo sistema

Numa definição ridiculamente simplória para o leitor pouco habituado aos conceitos da teoria da comunicação, a Indústria Cultural seria um dos tentáculos do "sistema" para conversão de produção cultural em mercadoria e dominação de classes, graças à mão amiga dos meios de comunicação e aos formadores de opinião. Para os dois mais notáveis estudiosos do tema, Theodor W. Adorno e Max Horkheimer, a quantidade cavalar de informações e as "diversões assépticas" despertam e idiotizam o homem. Otimistas, achavam que cedo ou tarde a sociedade despertaria. Notavelmente, não houve qualquer sinal de despertar até agora. Adorno e Horkheimer, completamente decepcionados com o homem, reveram alguns conceitos e hoje são desdenhados por parte dos acadêmicos de inclinação liberal (e por tantos outros com o pé no marxismo).

Basta dar uma passeada pelas manchetes dos diários esportivos para notar que o esclarecimento está cada vez mais distante do homem.

Quanto ao retorno triunfante do dito Fenômeno, prefiro aguardar as cenas do próximo capítulo.

Preferencialmente, passando ao largo do noticiário esportivo.

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quinta-feira, 5 de março de 2009

Jornalismo de arquibancada, corporativismo e luta por corações e mentes

Yo no creo en las brujas; pero que las hay, las hay. Tive de dar um tempo na curta inatividade deste blogue para homenagear o exemplar jornalismo esportivo da Vênus Platinada. A pouca credibilidade na cobertura política e econômica que assola o número 35 da Rua Irineu Marinho, no Centro do Rio, reverbera tenebrosamente na editoria de esportes do conglomerado de comunicação “grobal”. Não dá para levar a sério a chamada do GloboEsporte.com de hoje à tarde: "Oba-oba tricolor".


Dá para levar a sério a manchete de uma sumidade em oba-oba, como se notabilizou o Globo Esporte em suas versões televisiva e eletrônica?

Num exercício surreal de jornalismo, o GloboEsporte.com critica e ironiza o oba-oba Tricolor para logo ao lado jogar confete e serpentina no retorno aos gramados de um ídolo reduzido a pó


Dá para levar a sério um jornalismo cheio de "profissionais" com relações promíscuas com dirigentes, técnicos e jogadores (fenomenais estrelas que vivem reclamando de invasão de privacidade mas que não se negam a uma boa "exclusiva" para a Vênus Platinada)?

Dá para levar a sério quando um fator positivo é devidamente enterrado por uma série de matérias negativas, para esvaziar o que é notícia?

Claro, claro. As duas chamadas estão aí por coincidência. O jornalismo esportivo tupiniquim sempre foi marcado por sua combatividade

Tão arrepiante quanto a capa do GE.com é a matéria assinada por Leandro Menezes. Entre a bagunça e a desorganização que deram o tom na apresentação de Fred, o coleguinha destacou: "A confusão era tamanha que um repórter chegou a ser assaltado durante toda a confusão que tomou conta das Laranjeiras" (print da matéria AQUI).




Descontada a pobreza de estilo ao repetir duas vezes a palavra "confusão" num único período, mandaram às favas as primeiras lições de técnica de jornalismo ministradas em qualquer faculdade chinfrim.

FURTO: ato de subtração de coisa móvel pertencente a outra pessoa, sem consentimento dessa.

ROUBO: crime que consiste em subtrair coisa móvel pertencente a outrem por meio de violência ou grave ameaça, normalmente com uso de arma branca.

ASSALTO: ato repentino, impetuoso e surpreendente para a vítima, que se dá em determinado momento com uso de força física ou moral, normalmente com uso de arma de fogo.

Se houve "assalto" numa Laranjeiras desorganizada e abarrotada de gente, provavelmente houve testemunhas. Como foi a abordagem? Qual o método usado? Cadê?

Por enquanto, só houve assalto intelectual por parte de nossos coleguinhas, que foram impetuosamente vaiados a cada pergunta patética na eterna busca de fazer intriguinhas e jornalismo de arquibancada.

Dá para entender, jornalista se acha um deus, diferente de qualquer outro assalariado. Não gostam de bater cartão, não gostam de se misturar com a ralé, não gostam de ver o seu "trabalho" sendo criticado de perto.

E a classe média brasileira - aquela que se acha "a informada" - segue o seu calvário de vaca de presépio enquanto a manada vai pro brejo.

Uma surpreendente mas nada improvável eliminação do novo Vasco da Gama Fluminense hoje, na Copa do Brasil, fechará o dia com chave-de-ouro e fogos de artifício.

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