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terça-feira, 21 de abril de 2009

Livros sobre futebol gratuitos na internet

Uma das tantas campanhas antiquadas sobre as benesses da leitura sentenciava "ler é o maior barato". Não tão barato assim, na verdade. Os livros no Brasil são caros se comparados a países vizinhos, como a Argentina, o que explica em parte a irrisória média per capta de 2,5 exemplares lidos ao ano. Descontado os pecados da generalização, a falta de leitura ecoa democraticamente nos discursos arquibaldos e geraldinos.

Poucos conhecem, ou ao menos se interessam, pela história de seu clube de coração, por vezes fartamente documentada em grandes obras literárias. Um exemplo disso é o descontentamento de parte da torcida do Fluminense com a proposta de um uniforme que revivia a tradicional faixa diagonal, no fim de 2008. Muitos pensavam ser mera cópia da vestimenta vascaína.

Para quem tem interesse em futebol, a Pesquisa de Livros do Google (ou Google Books, como preferirem) disponibiliza uma série de títulos gratuitos. Como era de se esperar, a maioria permite apenas visualização parcial da obra (que em parte pode ser driblada pelo internauta, bastando se livrar dos cookies e dos arquivos temporários do navegador quando aparecer a sorrateira mensagem "você já atingiu o limite de páginas deste livro”).

Para poupar trabalho, oito títulos que considero essenciais foram selecionados. Outras obras estão disponíveis, na íntegra ou não, sobre futebol ou não, a um clique de qualquer internauta no Google Books.


O berro impresso das Manchetes
Nelson Rodrigues

O tricolor Nelson Rodrigues foi um dos poucos a conseguir traduzir em palavras a emoção do esporte bretão. "O berro impresso das Manchetes" é uma coletânea de crônicas do genial dramaturgo publicadas na antiga Manchete Esportiva. Um atestado do vácuo intelectual deixado pelo autor e prova cabal da mediocridade reinante entre os novos cronistas (se é que isso existe nos dias de hoje).


90 minutos de sabedoria
Ivan Maurício

A coletânea de frases e pensamentos organizada por Ivan Maurício é uma leitura frugal para o dia-a-dia, cheia de filosofia de botequim. Você sabia que o clássico "o futebol é uma caixinha de surpresas" foi cunhado pelo pai de José Roberto Wright? Outros autores e frases menos notórias, mas não menos deliciosas, podem ser conferidas no livro.



Como eles roubaram o jogo - Segredos dos subterrâneos da Fifa
David A. Yallop

Leitura recomendadíssima que detalha os bastidores de uma das mais poderosas organizações do mundo. Relatos esclarecedores sobre as politicagens de João Havelange, as arbitragens malignas e o malfadado rumo do futebol ao redor do globo, além de uma abordagem menos ufanista do desempenho da Seleção Brasileira em Copas do Mundo.



O Brasil na Taça Libertadores da América (Copa Toyota Liberdadores) e no Mundial Interclubes (Copa Toyota)
Antonio Carlos Napoleão

Confesso que fiquei decepcionado com a escolha do autor em usar apenas a "versão vencedora" do jogo desempate da Libertadores, de Altético Mineiro e Flamengo, em 1981, no Serra Dourada. Poderia ao menos ter relatado a versão atleticana para o caso, marcado pela confusa arbitragem de José Roberto Wright.


Seleção Brasileira - 1914-2006
Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf

Fonte inesgotável para entusiastas e jornalistas esportivos que gostam de números. Com o recurso de pesquisa rápida do Google, a obra fica ainda mais dinâmica.





Almanaque do futebol
Gustavo Poli e Lédio Carmona

É uma espécie de versão tupiniquim e anabolizada de "Football for dummies". Como é um almanaque, há um monte de informações manjadas e outras, nem tanto. Se não fosse este livro, provavelmente morreria sem saber que Maradona foi oferecido à Portuguesa de Desportos em 1975. Vale colocar na estante (virtual ou não) de sua biblioteca, nem que seja pela primorosa arte gráfica.


Deixa que eu chuto II - A missão
Renato Maurício Prado

Não gosto do Renato Maurício Prado, mas o livro tem seu valor. Muitos casos folclóricos do futebol. O problema é saber o que é fato e o que é lenda.





O nosso futebol
Fernando Calazans

Uma seleção de crônicas do melhor colunista de O Globo. É a história do futebol sendo contata sob o olhar saudosista de Calazans. Destaque para os textos sobre a Copa de 1990 e a excelência de Maradona.

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sábado, 18 de abril de 2009

Memória FC: Dez injustiçados em Copas do Mundo

Ser preterido ou rejeitado em qualquer aspecto da vida humana não é fácil. Lidar bem com a experiência de ficar em segundo plano ou ser esquecido é uma dádiva concedida a pouquíssimos mortais. Há três tipos de reações esperadas de alguém que vive esse tipo de experiência: ser político; ser polido; ou chutar o pau da barraca. O jogador francês Vikash Dhorasoo preferiu fazer um filme.

Substitute, de 2006, retrata o inferno particular do meia na Copa do Mundo da Alemanha, onde esteve em campo por decepcionantes 16 minutos. O filme, rodado em primeira mão com a ajuda do escritor francês Fred Poulet, é um retrato da frustração, sentimento de traição e raiva crescentes do jogador, preterido a cada jogo pelo técnico francês Raymond Domenech. Dhorasoo era reserva imediato de Zinedine Zidane.

Depois do filme, Dhorasoo foi tratado como traidor pelos companheiros de equipe
(Divulgação)

A experiência amarga vivida pelo projeto francês de cineasta é algo costumeiro na Seleção Brasileira. A cada Copa do Mundo sempre há um ou dois nomes injustiçados, que ficam de fora ou, se convocados, viram meras testemunhas oculares do maior evento do futebol mundial. Situação mais frustrante do que a de Dhorasoo, por vezes, já que nem sempre o preterido tem à frente alguém com o prestígio de Zidane. Num exercício de cultura inútil, a lista dos boleiros mais injustiçados é de qualidade. E olha que muita gente boa - mais uma vez - foi esquecida.

#10 - Edmundo

Apesar de jamais ter feito uma atuação redentora ostentando a camisa da Seleção e da temporada de altos e baixos na Fiorentina, Edmundo acabou recompensado com a convocação para a Copa da França após o impressionante 1997, comandando o ataque vascaíno. Mesmo com a saída de Romário, cortado por uma contusão controversa, Animal ficou na reserva, preterido por um Bebeto em fase descendente e pelo fraco Denílson. Para piorar, quando teve sua chance de ouro, ao substituir Bebeto no segundo tempo, contra Marrocos, o Animal errou tudo que tentou, protagonizando lances bisonhos e abaixo da crítica. O pior estava por vir: teve a chance de ouro de ser titular na grande final diante da França tirada de suas mãos já no vestiário, após o misterioso problema de Ronaldo Nazário. Pelo menos conseguiu entrar no segundo tempo e assistir de perto um dos maiores vexames do Brasil em Copas.


#09 - Julinho Botelho

O bonachão técnico Vicente Feola quando perguntado sobre quem era melhor, Garrincha ou Julinho Botelho, não titubeava: Julinho era melhor. O forte caráter do ponta da Fiorentina, cujo apelido escondia os 1,80 metros de bela estirpe futebolístca, fez com que renunciasse à convocação para a Seleção que iria à Suécia, na Copa de 1958, por não concordar em tirar a vaga de jogadores que atuavam no Brasil. Acabou cortado pelas próprias convicções. Sentiu pouco mais tarde, entretanto, o gosto amargo da rejeição, ao ouvir em maio de 1959 um Maracanã lotado o vaiando, num amistoso contra a Inglaterra. O motivo? Garrincha, a alegria do povo e um dos heróis da Copa, estava no banco de reservas, preterido por Julinho. O ex-jogador da Portuguesa deixou de lado os gritos por Mané e as lágrimas que ameaçavam cair, resolvendo mostrar no "couro" que não estava em campo por acaso. Com menos de dez minutos de jogo, o ponta fez dois gols que selaram placar definitivo daquele encontro, transformando vaias em aplausos e escrevendo uma das mais deliciosas histórias do ludopédio tupiniquim.


#08 - Emerson Leão

Titular em dois mundiais e integrante do elenco de 1970, Emerson Leão foi um dos melhores goleiros já revelados em solo brasileiro. Seguro, às vezes brilhante e outras tantas polêmico, o arqueiro colecionou ao longo da carreira admiradores e desafetos com a mesma facilidade. A personalidade polêmica ia de encontro ao jeitão desconfiado de Telê Santana, fechado com jogadores que eram a antítese perfeita do goleiro, como Sócrates. Curiosamente, tão logo Telê assumiu o comando da equipe brasileira, Leão se viu preterido nas escalações do novo técnico. De titular absoluto até o fim de 1979, com Cláudio Coutinho, jamais conseguiu encabeçar a lista de titulares, enquanto Valdir Peres, João Leite e Raul Plassmann, entre outros nomes menos cotados tiveram seus momentos na primeira Era Telê. Leão não. E mesmo tido como o melhor goleiro do país por muitos, acabou ficando de fora daquele time mágico da Copa de 1982, uma mágoa que nem a convocação para a Copa seguinte, com o mesmo Telê, curou.


#07 - Renato Gaúcho

Renato nunca teve muita sorte em Mundiais. Na Itália, em 1990, sob comando de Sebastião Lazaroni, jogou poucos minutos antes do apito final na fatídica partida contra a Argentina, no melhor estilo "resolver aí, meu craque". A maior frustração do carismático jogador, no entanto, aconteceu quatro anos antes, na Copa do México. Considerado uma das peças fundamentais na campanha das Eliminatórias, Renato Gaúcho acabou cortado por um caso de indisciplina que rende até hoje. Com Renato "voando", Telê acabou trocando o polêmico craque pelo jovem Müller, do São Paulo. Acabou por deixar uma ponta de dúvida se a Seleção Brasileira teria sorte melhor naquele mundial.


#06 - Neto

As escolhas de Sebastião Lazaroni para a Copa de 1990 não agradaram aos críticos brasileiros, sobretudo a imprensa paulista. A mídia bandeirante, há algumas décadas com certo poder da barganha na reivindicação de seus prediletos para a posição de goleiro, teve de engolir a seco a convocação dos discutíveis arqueiros Zé Carlos (Flamengo) e Acácio (Vasco da Gama). Para completar a cariocada, o técnico ousou deixar Neto de fora do Mundial da Itália. O meia, que vivia a melhor fase de sua carreira, no Corinthians, viu o sonho de jogar uma Copa do Mundo arruinado com outra convocação bastante discutida do outro lado da Rodovia Dutra, a da promessa vascaína Bismarck, que fez grande Campeonato Brasileiro em 1989, mas jamais alcançou o nível esperado.


#05 - Djalma Dias

Zagueiro de técnica refinada, Djalma Dias roeu o osso, mas ficou de fora na hora do filé. Após participar de todos os jogos das Eliminatórias da Copa de 1970, o pai de Djalminha inexplicavelmente foi cortado da lista de atletas que viajariam ao México. Pior do que ficar de fora pela segunda vez consecutiva de um Mundial, só mesmo constatar que foi relegado por beques bem menos técnicos, como Brito, Joel, Fontana e Baldocchi. Apesar da exuberância do meio-de-campo para frente, Zagallo teve alguns problemas para arrumar a cozinha brasileira, tanto que recorreu ao sempre competente cruzeirense Wilson Piazza, originalmente um volante, para jogar na zaga.


#04 - Ronaldo Nazário

Por mais estranho que possa parecer, Ronaldo Nazário de certa forma também foi um injustiçado em Copas do Mundo. Ainda garoto e jogando uma bola redonda no Cruzeiro, havia algo de supersticioso na convocação daquele menino, que chegava ao seu primeiro Mundial, em 1994, com apenas 17 anos. Quem sabe, tal qual Pelé, na Suécia, não seria o protagonista de uma nova redenção brasileira, que há 24 anos amargava seguidos insucessos? Para desespero dos supersticiosos, Ronaldo não jogou um minuto sequer na Copa dos EUA. Se, na época, Bebeto e Romário eram incontestáveis e insubstituíveis, pouca gente ficou sem entender como até o discutido Paulo Sérgio teve seus minutinhos de bola em jogo naquele Mundial, enquanto o futuro Fenômeno apenas fez turismo na América do Norte.


#03 - Alex

Nome quase certo na convocação dos jogadores que iriam à Copa de 2002, Alex foi inexplicavelmente esquecido por Felipão, técnico parceiro num passado de sucesso no Palmeiras. Rescaldado pela decepção de quatro anos antes, Alex novamente ficou de fora do grupo que iria ao Mundial da Alemanha, após ser figurinha fácil em diversas convocações de Parreira ao longo da preparação daquela equipe. Acabou preterido por Ricardinho, que, apesar de ser um bom jogador, está longe de ser o Zidane que a imprensa tentou por anos a fio fazer acreditar.


#02 - Falcão

Cláudio Coutinho dirigiu a Seleção Brasileira mais confusa da história recente dos Mundiais, em 1978. Um dos ícones do futebol moderno no país, introdutor de uma série de termos e conceitos importados, como overlapping, Método Cooper, ponto futuro e polivalência, Coutinho antagonicamente deixou fora da Copa da Argentina o jogador brasileiro que à época era a mais completa tradução de modernidade: Paulo Roberto Falcão. E, para piorar, trocou a técnica refinada do meio-de-campo do Internacional pelo limitado Chicão. Cada Copa do Mundo tem os craques que merece.


#01 - Ademir da Guia

Dono do meio-de-campo da Academia de Futebol que dominou os gramados no fim da década de 1960, Ademir da Guia sempre foi preterido por diversos técnicos que passaram pela Seleção Brasileira. O jogo mágico do esguio Palmeirense concorreu com jogadores do peso, como Gerson e Rivellino, ao longo dos anos, mas enfim conseguiu uma merecida convocação, para o Mundial de 1974. A participação de Ademir naquela Copa se resumiu a pouco mais de um tempo de jogo, para tristeza dos amantes do bom futebol. À parte os delírios paulistas sobre cariocadas da antiga CBD, a bola saiu perdendo.

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sábado, 11 de abril de 2009

As relações perigosas dos jogadores brasileiros

A puritana América pré-rock'n'roll foi assombrada pelas loucuras de Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr. e Peter Lawford na década de 1950. O quarteto encabeçava um grupo batizado de Rat Pack (algo próximo de "clube dos cafajestes", numa tradução com licença poética), que, além de ostentar relações com a máfia, promovia grandes festas regadas a drogas e muito sexo. Pouco mais de 50 anos depois de Sinatra e companhia, abaixo da Linha do Equador, surgiu a versão tupiniquim do Rat Pack. Robinho, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Adriano - os quatro notáveis da turma do pagode da Seleção Brasileira – saíram das resenhas esportivas para protagonizar escândalos menos românticos, num caldeirão de sexo, álcool e boatos.

Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr. e Peter Lawford (a partir da esquerda) eram os rockstars de uma era sem rock'n'roll (ilustração de Kathleen Ayres)

O paralelo das realidades dos festeiros brasileiros e dos figurões da Hollywood de ouro serve para colocar por água abaixo certos preconceitos emulados pela classe média recalcada, mas evidencia um clichê do momento: os jogadores deixaram de ser esportistas para frequentarem as revistas de celebridades. O resultado desse fenômeno é visto em campo (sem trocadilhos). Não é preciso ser formado em Educação Física para saber que o ritmo de algumas festas não condiz com a realidade de um atleta profissional. Um copo mais cedo ou uma loira mais tarde, a bola acabará cobrando. Não é por acaso que os quatro estão em baixa no ludopédio mundial.

Colocando as cartas na mesa, fica claro que o único com currículo para competir com a turma de Sinatra é Ronaldo Nazário. Um Dean Martin é capaz de colocar no bolso o trio Robinho, Ronaldinho e Adriano, tanto no talento quanto na voracidade etílica e hedonismo. Por outro lado, os burburinhos recorrentes envolvendo os quatro notáveis da turma do pagode com a marginalidade deixa no chinelo as conexões mafiosas do Rat Pack original. Dado o atual poder bélico de qualquer malandro agulha e os tentáculos de redes criminosas de fundo de quintal, Al Capone, com seu esquema de contrabando de bebidas, seria hoje um mero ladrão de galinhas. O que agrava a situação dos nossos boleiros.

Ronaldo Nazário, apesar da fama de bom moço moldada na era Rodrigo Paiva, já se viu mais de um par de vezes envolvido em escândalos que vão além de traições conjugais e faro pouquíssimo apurado na escolha de garotas de programa. Em 1999, foi personagem de inquérito da polícia italiana sobre uma rede de prostituição de luxo. Ainda que não tenha pesado sobre seus ombros acusação alguma, a imagem do craque foi seriamente abalada por depoimentos que o apontaram como habitué de orgias embaladas com cocaína (todos, no entanto, rechaçaram seu envolvimento com drogas, à época).

Depois da lua-de-mel com a imprensa sob a batuta do atual coordenador de assessoria da imprensa da CBF, mais uma vez o Fenômeno apareceu nas manchetes policiais. Em 2005, escutas telefônicas que investigavam traficantes de classe média flagraram o irmão de sua então namorada, Lívia Lemos, dizer de maneira nada hermética que Ronaldo "gosta muito". E mesmo em momentos mais embaraçosos na perseguição do jornalismo paparazzo a sua vida particular, lá estava o atacante tendo o seu nome ligado ao consumo de drogas, como na atrapalhada noite dos três travestis. Apesar de o boleiro brasileiro ao fim de cada investigação acabar como vítima da situação e da fama, se o velho ditado popular que diz "onde tem fumaça há fogo" tiver um mínimo de veracidade, o torcedor deve se preocupar.

Robinho, Adriano, Ronaldo e Ronaldinho estão com a carreira em xeque após pouco futebol e muitos escândalos

Alguns degraus menos talentoso e decisivo do que seu xará, Ronaldinho Gaúcho também apronta das suas fora das quatro linhas. Enquanto assiste passivamente à queda vertiginosa de seu prestígio, o jogador se complica com amizades pouco ortodoxas para um ídolo infanto-juvenil. No fim do ano passado, gravações de conversas telefônicas indicaram que na maratona festeira do boleiro teve uma farra em especial: um pagode com o traficante gaúcho Gigi. No mesmo imbróglio ainda houve espaço para Anderson, do Manchester United, apontado como dono do Porsche usado pelo criminoso para fugir de uma colônia penal.

Outro que pedala desenfreadamente rumo ao limbo futebolístico é Robinho. Sem nunca confirmar o status de grande jogador, a eterna promessa santista já se viu às voltas com investigações sobre relações com a criminalidade. O atleta, em 2005, teve de prestar esclarecimentos à policia santista sobre a sua relação com o barra pesada local Naldinho, um dos cardeais do tráfico na região. Robinho saiu pela tangente, dizendo que o traficante era um mero conhecido, que, apesar disso, teve direito a dedicatória em comemoração de gol. Na operação deflagrada, outro nome famoso figurou nas chamadas policias, Edinho, ex-goleiro do Santos e filho de Pelé, que acabou preso.

As oportunidades que jamais faltaram a Edinho são quase nulas na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, onde cresceu o atacante Adriano. Jogador de carreira e sucesso meteóricos, o Imperador nunca escondeu que entre seus amigos de infância ainda vivos, muitos integram o narcotráfico local, combustível preferido das especulações sobre suas atividades prediletas no Rio de Janeiro. O súbito enriquecimento, a fama e as cobranças demasiadas acabaram por minar o estado emocional do atacante, que momentaneamente se retirou dos gramados, encarnando uma espécie de Kurt Cobain do futebol.

As constantes notícias envolvendo criminosos e os principais futebolistas brasileiros não são um fenômeno local ou fechado a esteriótipos. O goleiro Júlio César, tido como "garoto de família" foi flagrado em grampo telefônico trocando figurinhas com o antigo chefe do tráfico na Rocinha, há cerca de quatro anos. Na Itália, tradicional feudo de oligarquias mafiosas, não são raros os escândalos de atletas envolvidos com o crime organizado, como o caso do Totonero, com Paolo Rossi, carrasco da Seleção na Copa de 1982, protagonizando um dos maiores eventos de manipulação de resultados do esporte mundial. Nos grandes centros da América Latina, a história se repete. Sinal de que há tempos quem está à margem da lei faz parte do status quo.

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sábado, 4 de abril de 2009

A popularidade dos times brasileiros segundo o Google

E se os times mais populares do Brasil fossem, respectivamente, o São Paulo, o Sport e o Paraná Clube? Pelo menos no Google isso é possível. Numa pesquisa com os 30 maiores clubes de futebol do Brasil, os resultados apresentados pela ferramenta de buscas mais usada na internet brasileira são surpreendentes.

Photobucket
Ranking Google com números aproximados de resultados por busca, em 04/04/2009

Antes de os esquentadinhos de plantão começarem a reclamar, os resultados apresentados aqui não têm valor científico algum. Certas distorções são evidentes devido às regras adotadas. Nas buscas no Google foram usados os nomes oficiais dos clubes entre aspas, para garantir alguma acurácia e evitar agregar substantivos homônimos. Flamengo vale tanto para o(s) time(s) quanto o bairro do Rio; São Paulo serve para o time, o santo, a cidade e o estado, por exemplo. Digitando, entre aspas, “Clube de Regatas do Flamengo” ou “São Paulo Futebol Clube” os resultados são mais limpos.

O Paraná Clube acabou levando vantagem com essa regra. Afinal, quase todo mundo chama o Paraná Clube de... Paraná Clube. Por outro lado, é raro um torcedor do Grêmio fazer referência a seu time de coração com o pomposo nome “Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense”. Distorções à parte, ainda surpreende a posição do Sport no ranking do Google. Não é qualquer um que digita “Sport Club do Recife”.

A única exceção nos parâmetros de busca é o Vasco da Gama. Em vez de “Club de Regatas Vasco da Gama” foi usado o termo “Clube de Regatas Vasco da Gama”, já que a diferença nos resultados era muito grande. As variações de club e clube, futebol e football e similares usadas nos demais times foram irrelevantes.

Outros fatores determinantes nos resultados apresentados pelo buscador devem ser ressaltados. Equipes que encabeçaram disputas nos últimos campeonatos e que tenham torcedores mais jovens levam vantagem (caso do São Paulo).

Se a pesquisa não tem qualquer valor científico, ao menos vale para matar a curiosidade dos torcedores e também como um indicativo da atuação da agremiação de coração na grande rede. É claro, lembrando aos apressados, otimistas e detratores que popularidade engloba "boa fama" e "má fama".

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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Porque crescer é preciso

Após um ano de vida e algumas variações na proposta de abordagem deste espaço, notei que, mais uma vez, é preciso mudar. Mudar para crescer. Não adianta lutar contra o pensamento dominante que está aí, nos grandes veículos de comunicação. Não adianta bancar uma sociedade ainda distante do esclarecimento pleno. Esse tempo todo convivendo com jornalistas, posso dizer que a maioria sequer se dá conta de como é o processo de produção na notícia. A maioria sequer consegue ter um pensamento crítico diante da informação. Do outro lado da corda, reconheço que reflexão foi o que mais faltou durante a fase passada do Bicuda Futebol Clube. Não adianta dar soco em ponta de faca. Mas é possível ser crítico e ácido sem abdicar da polidez que rege as boas maneiras que harmonizam hipocritamente a convivência social.

Outra preocupação foi notar a falta de conteúdo original. Insistir em posts diários apenas comentando o que é notícia (falha comum em grande parte da blogosfera). Quem diria, os "observadores da imprensa" de plantão estavam sendo pautados pela... imprensa. A falta de tempo explica, mas não justifica. Os posts reduzidos, só para manter o blog rodando, também perderão lugar na nova proposta do Bicuda FC. Para isso, abri uma conta no twitter. O desafio será navegar entre humor e jornalismo sem perder a credibilidade. É possível?

As constantes mudanças no layout do blog ainda estão em fase de aprimoramento. Como tudo é feito no braço, com diminutos conhecimentos de HTML e javascript, ainda levará tempo para fechar no novo Bicuda FC. A meta é ter as coisas normalizadas até o fim de abril. Continuem conosco.

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