O controverso tio Bill Gates - o homem por trás da Microsoft - num raro momento de falsa inspiração e poder de síntese classificou a internet como "a praça pública para a aldeia global de amanhã". Infelizmente, no mundo da bola são poucos os clubes brasileiros que conseguem enxergar o óbvio: a grande rede é o melhor canal para se comunicar diretamente com o torcedor e agregar novos seguidores e parceiros. Tudo sem intermediários sensacionalistas.
Mas será que seu time de coração está preparado para essa nova era da comunicação? Há grandes chances de a resposta ser negativa.
Numa análise dos sites oficiais dos times da Série A do Campeonato Brasileiro foi constatado desleixo com a história, pouca visão empresarial e negligência com a participação da torcida. Há raras e honrosas exceções entre os sites visitados. Grandes sacadas que deveriam servir de modelo.
Se o conteúdo de um site refletisse no desempenho dentro de campo, de longe o Flamengo seria o maior clube do país. Pelo menos na internet, o rubro-negro dá um show à parte e serve como referência de qualidade para as demais agremiações do Brasil e do mundo. Ninguém valoriza tanto uma história quanto o time carioca, que, numa iniciativa genial, mantém a Flapédia, com mais de 4 mil (!!!) artigos sobre ídolos, grandes conquistas e outros marcos.
Dão sustância ao site flamenguista um vasto material multimídia (incluindo um canal de web TV exclusivo - coqueluche entre os times brasileiros), espaço destinado ao público infantil (onde mandam às favas a cartilha do politicamente correto) e uma agência de notícias que faz frente a qualquer portal da internet. Um paraíso virtual para os fãs.
O pequeno flamenguista aprende desde cedo: todo tricolor é "bi-chona!!" (em destaque). Bem pedagógico...
Correndo por fora, Grêmio, Internacional, Fluminense, Coritiba e Santos também fazem bonito, apesar de não possuírem o mesmo detalhismo do site flamenguista. Downloads exclusivos, farto material histórico e conteúdo multimídia podem ser apreciados sem moderação pelos seguidores desses times.
Mas nem tudo são flores. No geral, foram notadas algumas falhas terríveis em grande parte dos sites. A maioria dos clubes parece não dar valor a sua história - apresentada de forma burocrática -, ignora ídolos do passado e desconhecem o conceito de interatividade, tão em voga na web 2.0. Outro ponto a se colocar em xeque é a falta de cuidado com o visitante não familiarizado ao português.
O sonho de dez entre dez dirigentes brasileiros é a famosa "internacionalização da marca". A pretensão, contudo, esbarra no fator idioma. O internet ainda é dominada pela língua inglesa e assim será durante muito tempo. Nada mais evidente do que ter uma versão em inglês para o conteúdo de seu site, correto? Errado! Apenas oito clubes parecem se preocupar com isso. Em outras palavras, todo o papo mole de internacionalização, na maioria das vezes, é conversa para boi dormir.
Timão mantém o melhor site internacional
Se ainda não ganhou muita coisa internacionalmente, o Corinthians ao menos pode se orgulhar de ter o melhor site "estrangeiro" entre os clubes brasileiros. O nível é tão alto que, descontada a ausência de notícias, as versões em inglês e espanhol são melhores do que a acessada na língua pátria. Coritiba, Grêmio (o único a manter notícias em inglês), Santos e Fluminense são outros que merecem citação, com um trabalho extremamente profissional e cuidadoso. Completam a lista de honra Internacional e Atlético-PR (com apresentações bem pobres) e Náutico (na base do "enganation").
A decepção fica por conta do São Paulo e Flamengo. O clube paulista, que se gaba de ter a maior visibilidade internacional entre os times brasileiros, e os cariocas, que contam com a maior torcida do país, parecem ignorar solenemente os fãs não habituados ao português. Falta de atenção que pode dificultar os planos de quem pensa em abocanhar uma concorrida fatia do mercado externo. Afinal, "quem não se comunica se trumbica", como dizia o saudoso profeta da globalização Abelardo Barbosa.
* Visitas e avaliações feitas em julho de 2009
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Mas será que seu time de coração está preparado para essa nova era da comunicação? Há grandes chances de a resposta ser negativa.
Numa análise dos sites oficiais dos times da Série A do Campeonato Brasileiro foi constatado desleixo com a história, pouca visão empresarial e negligência com a participação da torcida. Há raras e honrosas exceções entre os sites visitados. Grandes sacadas que deveriam servir de modelo.
Se o conteúdo de um site refletisse no desempenho dentro de campo, de longe o Flamengo seria o maior clube do país. Pelo menos na internet, o rubro-negro dá um show à parte e serve como referência de qualidade para as demais agremiações do Brasil e do mundo. Ninguém valoriza tanto uma história quanto o time carioca, que, numa iniciativa genial, mantém a Flapédia, com mais de 4 mil (!!!) artigos sobre ídolos, grandes conquistas e outros marcos.
Dão sustância ao site flamenguista um vasto material multimídia (incluindo um canal de web TV exclusivo - coqueluche entre os times brasileiros), espaço destinado ao público infantil (onde mandam às favas a cartilha do politicamente correto) e uma agência de notícias que faz frente a qualquer portal da internet. Um paraíso virtual para os fãs.
O pequeno flamenguista aprende desde cedo: todo tricolor é "bi-chona!!" (em destaque). Bem pedagógico...Correndo por fora, Grêmio, Internacional, Fluminense, Coritiba e Santos também fazem bonito, apesar de não possuírem o mesmo detalhismo do site flamenguista. Downloads exclusivos, farto material histórico e conteúdo multimídia podem ser apreciados sem moderação pelos seguidores desses times.
Mas nem tudo são flores. No geral, foram notadas algumas falhas terríveis em grande parte dos sites. A maioria dos clubes parece não dar valor a sua história - apresentada de forma burocrática -, ignora ídolos do passado e desconhecem o conceito de interatividade, tão em voga na web 2.0. Outro ponto a se colocar em xeque é a falta de cuidado com o visitante não familiarizado ao português.
O sonho de dez entre dez dirigentes brasileiros é a famosa "internacionalização da marca". A pretensão, contudo, esbarra no fator idioma. O internet ainda é dominada pela língua inglesa e assim será durante muito tempo. Nada mais evidente do que ter uma versão em inglês para o conteúdo de seu site, correto? Errado! Apenas oito clubes parecem se preocupar com isso. Em outras palavras, todo o papo mole de internacionalização, na maioria das vezes, é conversa para boi dormir.
Timão mantém o melhor site internacionalSe ainda não ganhou muita coisa internacionalmente, o Corinthians ao menos pode se orgulhar de ter o melhor site "estrangeiro" entre os clubes brasileiros. O nível é tão alto que, descontada a ausência de notícias, as versões em inglês e espanhol são melhores do que a acessada na língua pátria. Coritiba, Grêmio (o único a manter notícias em inglês), Santos e Fluminense são outros que merecem citação, com um trabalho extremamente profissional e cuidadoso. Completam a lista de honra Internacional e Atlético-PR (com apresentações bem pobres) e Náutico (na base do "enganation").
A decepção fica por conta do São Paulo e Flamengo. O clube paulista, que se gaba de ter a maior visibilidade internacional entre os times brasileiros, e os cariocas, que contam com a maior torcida do país, parecem ignorar solenemente os fãs não habituados ao português. Falta de atenção que pode dificultar os planos de quem pensa em abocanhar uma concorrida fatia do mercado externo. Afinal, "quem não se comunica se trumbica", como dizia o saudoso profeta da globalização Abelardo Barbosa.
* Visitas e avaliações feitas em julho de 2009






