Related Posts with Thumbnails

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Memória FC: "Eu e o futebol" - o livro maldito de Almir


“Sujo do começo ao fim”. As duras palavras com que o diário O Globo definiu o ex-jogador Almir Albuquerque, o Almir Pernambuquinho, traduzem a mágoa com o homem que desmascarou o axioma maior do futebol brasileiro. Afinal, nem o Santos dourado de Pelé escapou das revelações de Almir, no biográfico livro "Eu e o futebol". As denúncias sobre doping e compra de juízes feitas pelo atleta estão na poeira do passado, mas ajudam a explicar o presente, em que tudo é visto como mera coincidência, com árbitros "errando para os dois lados".

Deve ser duro para o brasileiro que acompanha o esporte e desde cedo foi bombardeado pela falsa imagem do futebol nacional limpo e bem jogado. Ladrões, milongueiros, canalhas e violentos sempre foram nossos hermanos. Não falta gente para reclamar da suposta manipulação argentina na Copa de 1978, mas não há qualquer desencargo de consciência sobre o que aconteceu dentro e fora de campo no Mundial de 1962 (conquistado na bola, no apito e na marra pelo país do futebol). Fica a cargo da coincidência o fato de todos os árbitros que mediaram os três primeiros títulos mundiais da Seleção terem passado, pouco depois de cada apito final, férias no paraíso tropical brasileiro?

Com Almir, sujo do começo ao fim, o torcedor mais pueril tomou um tapa na cara. Bom jogador, o ex-atacante também prestou serviços valiosíssimos ao ludopédio tupiniquim, colocando a cabo a fama de amarelão que perseguia o brasileiro. João Saldanha escreveu no prefácio do livro de Almir, "era comum dizerem, lá pela Argentina e pelo Uruguai, que com qualquer três gritos eles ganhavam da gente". Não depois do Sul-Americano de 1959, em que o boleiro protagonizou uma das maiores guerras campais da história, num jogo contra o Uruguai (valentia que despertou admiração dos argentinos por Almir e Paulo Valentim - posteriormente contratados pelo Boca Juniors). Segundo Saldanha, depois daquela partida "os uruguaios nunca mais falaram em machismo, covardia, valentia, essas coisas, pra cima da gente".

A pecha de maldito veio com as revelações de Pernambuquinho após encerrar a carreira. Só um cara valente como Almir para romper com as convenções da crônica esportiva e revelar toda a sujeira dos bastidores da bola. Um dos principais alvos não poderia ser mais simbólico: o Santos da década de 1960 - um dos maiores patrimônios do futebol brasileiro. Sem meias palavras, o jogador escancarou o que aconteceu fora de campo na decisão do Mundial Interclubes, entre Santos e Milan, em 1963: "nós ganhamos na raça, na catimba. Se houvesse mais tempo de jogo, uma prorrogação ou até mesmo um terceiro tempo de 45 minutos, nós ganharíamos do Milan. Alfredinho sabia disso: com a bolinha que ele nos tinha dado, o Santos tinha energia para continuar jogando até agora".

O doping não foi o único recurso lançado mão pelos dirigentes santistas para conquistar o bicampeonato mundial. Mesmo com um time reconhecidamente espetacular, os cartolas alvinegros trataram de negociar um auxílio extra com o árbitro argentino Juan Brozzi. Os italianos, que já suspeitaram da atuação do mediador no primeiro jogo, tiveram de engolir a seco a parcialidade no apito. E Almir fez o que quis no campo: jogou bola, bateu e apanhou muito, além de cavar o pênalti que garantiu o título.

O caso do Santos é emblemático, mas não é o único revelado em "Eu e o futebol". Em pouco mais de 100 páginas são retirados outros esqueletos do armário do futebol nacional. Para adoradores de teorias de conspiração, o livro de Almir acabou selando sua morte, pouco tempo depois, num assassinato mal explicado, com jeito de queima da arquivo. A obra do jogador, no entanto, é um legado que ajuda a explicar o futebol de hoje e de ontem.

Fora de edição, o livro só é achado em sebos, com alguma sorte. O segundo capítulo na íntegra, sobre o jogo Santos e Milan, pode ser baixado aqui.



Continue lendo >>

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A anatomia da tragédia tricolor


Quando o mundo era um feudo, o Fluminense era um gigante. É provável que o torcedor com menos de 30 anos jamais tenha noção de quão grande foi o clube das Laranjeiras durante quase todo o século XX. Numa época em que amadorismo era visto com bons olhos, o tricolor custeou toda a sua estrutura (diferentemente de alguns de seus pares, socorridos pela administração pública), conquistou títulos e fez tradição. Foi palco da primeira grande conquista da Seleção Brasileira, o Sul-Americano de 1919. Em nome do desporto, tomou calote do Estado ao sediar e organizar o embrião dos Jogos Pan-Americanos, em 1922. Pelo bem-estar da Guanabara, viu parte de seu estádio, que chegou a comportar 30 mil pessoas, ser colocado abaixo para a duplicação da Rua Pinheiro Machado, durante a Ditadura Militar. Era só o início da lenta e agonizante espiral de decadência de um dos percursores do futebol no país.

O Fluminense não está sozinho no bloco dos decadentes. No mundo da bola sobram histórias de equipes que se apequenaram com o tempo, algumas chegando à extinção. Os maus resultados dentro de campo, a perda lenta e gradual de poder nos bastidores, o encolhimento absurdo de sua torcida (segundo os institutos de pesquisa) apenas reforçam as pistas que o velho clube carioca perdeu o bonde da história. Mas como o gigante tricolor definhou em pouco mais de duas décadas? Num breve levantamento, é fácil identificar os principais vilões da tragédia.


Francisco Horta

Saudado como um dos maiores presidentes da história do Fluminense, Francisco Horta foi um desastre completo para as finanças tricolores. As dívidas do clube, que eram administradas com alguma eficiência, ganharam proporções astronômicas na formação da Máquina Tricolor (o primeiro time "galático" do país?). Com a mesma facilidade que acumulou dívidas, Horta liberou atletas comprados a peso de ouro em negócios que favoreceram o espetáculo, mas que não foram bons para as Laranjeiras. Exemplo gritante foi a troca de PC Caju, Gil e Rodrigues Neto pelo ótimo lateral alvinegro Marinho Chagas(isso mesmo, três atletas de Seleção, com participações em Copa do Mundo, por um). Horta abriu mão de uma hegemonia que se acenava no fim dos anos 1970 para fortalecer os outros times do Rio. O Fluminense, é claro, ficou com a conta. Mas o que se esperar de um presidente que se declara até hoje "rubro-nense"?


O estatuto

O Fluminense hoje está longe de ser uma democracia. Culpa do estatuto enferrujado. O clube é dividido em pequenos feudos e o quadro social é dominado por torcedores de outras agremiações. Isso mesmo, há alguns anos o destino do Fluminense é traçado por flamenguistas, vascaínos, botafoguenses e alguns pingados tricolores. Se não houver uma associação em massa de torcedores do Flu, dificilmente o rumo das Laranjeiras sairá das mãos das turminhas da piscina e do tênis(que estão se lixando para o futebol e tiveram participação ativa nos consecutivos rebaixamentos do time).



Egypto, Gil Carneiro, Álvaro Barcelos... e Roberto Horcades!

Horcades foi um dos piores presidentes do Fluminense. Só não é pule de dez na disputa porque há outros desastres de peso. O marco da derrocada tricolor passa pelas mãos do ex-presidente Fábio Egypto, que num passe de mágica destruiu a base da equipe tricampeã carioca em 1985 e campeã brasileira em 1984. Completaram o serviço as "gestões" de Ângelo Chaves, Arnaldo Santiago, Gil Carneiro de Mendonça e Álvaro Barcelos, que pulverizaram de vez os últimos resquícios do passado de glórias do pavilhão carioca. Horcades, no entanto, carrega um dose a mais de culpa, já que pegou o clube num momento de reerguimento e teve "talento" suficiente para destruir as raras boas iniciativas: Xerém está entregue às moscas, a comissão técnica permanente foi desmontada e não há qualquer perspectiva para a construção de um CT. Repetiu os erros de seus antecessores ao se cercar de profissionais de competência questionável e abusar do apadrinhamento. Pesam ainda sobre os ombros do dirigente as declarações atrapalhadas, muito bem repercutidas e trabalhadas por parte da imprensa esportiva, que desde o imbróglio do primeiro rebaixamento não consegue disfarçar a má vontade com a agremiação.


Celso Barros

Celso Barros é só a cereja do bolo. Mas tem culpa na atual situação do Flu. Não há dúvidas de que o patrocínio da Unimed foi bom para o time de futebol, principalmente nos primeiros anos. A dependência financeira abriu, contudo, um perigoso precedente nas Laranjeiras: o dono da empresa pensa que o time é seu brinquedo particular. O braço fraco de Roberto Horcades agravou ainda mais a situação de clientelismo nos corredores do clube. Para piorar a situação, Celso Barros tem faro pouquíssimo apurado para contratações eficientes, tendo uma injustificável preferência por "ex-jogadores em atividade", que garantem resultado em exposição na mídia e péssimo rendimento em campo. Enquanto encarna o Roman Abramovich tupiniquim, os palpites furadíssimos de Barros vão atrapalhando o Fluminense. Dentro e fora de campo.

Há saída para o Fluminense?

Foto: Alberto Gambardella

Continue lendo >>

Alerta de fraude - Milan Baros


O tcheco Milan Baros faz parte do seleto grupo de jogadores que contam com mais respeito da crítica especializada do que entre torcedores. Mudando de equipe com a mesma frequência que Beckham muda de penteado ou C. Ronaldo, de namorada, Baros ganhou fama mundial na Eurocopa de 2004, em Portugal. Aliando velocidade e alguma técnica, o atleta tcheco sagrou-se artilheiro da competição, com méritos. Afinal, Rooney, Henry, Ibrahimovic, Nistelrooy e C. Ronaldo participaram daquela Euro.

Apesar de a Seleção da República Tcheca ter ficado pelo caminho, o bom desempenho ajudou Baros a ficar mais uma temporada no Liverpool (clube onde, desde 2002, jamais dissera a que veio) e conseguir uma lucrativa transferência para o Aston Villa. A escassez de gols no clube de Birmingham, no entanto, abreviou a passagem do boleiro na Inglaterra.

Azar da Lyon. Do outro lado do Canal da Mancha, Baros enfim conseguiu frequentar as manchetes. Como era de se esperar, nada a ver com a bolinha que caracterizou suas atuações em campo, mas graças às polêmicas. Em 2007, em partida envolvendo Lyon e Rennes, o tcheco foi acusado de racismo. Vítima dos delírios dos patrulheiros politicamente corretos, o atacante foi absolvido das acusações sobre a questão racial, mas pegou um justo gancho por atitude antidesportiva.


Racismo? Tire suas próprias conclusões.

Outro caso inusitado coroou a passagem do boleiro na França. Ao volante de uma Ferrari 430, o jogador bateu o recorde de velocidade da via expressa que liga Lion a Genebra. Milan Baros alcançou 271 km/h numa via de até 170 km/h. O mais sensacional foi a desculpa do aspirante a piloto. Segundo o atleta, ele apenas queria ouvir o som do motor de uma Ferrari. Genial e imprudente.

A folclórica fase francesa do tcheco teve fim em 2008, quando mais uma vez não aconteceu na Inglaterra, dessa vez vestindo a camisa do Portsmouth. Fechado o mercado dos grandes centros europeus, o futebolista hoje tenta a sorte, muito bem remunerado, no Galatasaray, da Turquia, onde provavelmente caminhará de vez para a irrelevância esportiva.

Foto: Ptllhrs

Continue lendo >>

Jogo de mocinha

Promessa de sucesso na concentração dos marmanjos

Jogar como mocinha. Uma das muitas expressões machistas da coleção de frases feitas do futebol brasileiro virou consumo. A boneca Barbie agora empresta sua marca ao jogo de totó (ou pebolim, ou pacau, ou fla-flu - fica a gosto do freguês).

A peça é fruto de uma parceria entre a Mattel Brands e Babyfoot Bonzini (especialista na fabricação do brinquedo), e tem sido sensação no Festival Internacional de Design, em Berlim.

Será que rola uma franquia com produtos da Marta?

Via Design Boom

Foto: Design Boom

Continue lendo >>