A capa do Caderno de Esportes, de O Globo, dia após a volta de Zico à Gávea é um exemplo acadêmico sobre o caô da objetividade jornalística. Imaginou o mesmo jornal fazendo uma capa assim para o segundo mandato de Lula? Nem eu!
(Imagem: reprodução retirada do Jornalheiros)
Não sou louco de questionar a qualidade de Zico, o ex-jogador e eterno craque.
Não culpo o Galinho por ser um dos artífices de uma das minhas maiores frustrações futebolísticas.
Não acho que Zico tenha sido um perdedor quando se trata de Seleção Brasileira.
Zico, no entanto, não pode ser imune a críticas.
Seus planos para o Flamengo, como dirigente, são ousados: profissionalização, ainda que isso custe algumas temporadas passando em branco.
O preço é alto e doloroso, mas válido.
A difícil opção de Zico eu não questiono.
As contratações do Galinho para o ataque rubro-negro foram ruins.
Val Baiano foi vice-artilheiro do Brasileirão de 2009. Entre os atacantes, foi o com melhor aproveitamento na relação jogos/ gols. Seria uma opção válida para compor elenco, correto?
Leandro Amaral, antes de tempos no estaleiro, fez um papel decente no Vasco da Gama. Regularidade, no entanto, nunca foi regra na carreira do atacante. Sua contratação é pra lá de questionável. Mas o contrato de risco alivia a solução do Galinho. Foi uma aposta arriscadíssima que parece não ter dado certo.
A opção por Borja é inexplicável.
Com o dinheiro investido nos três, talvez fosse menos dispendioso trazer Montillo ou Emerson (que chegaram voando em outros clubes).
Diogo e Deivid são avantes que seriam bem-vindos em qualquer time brasileiro (ainda que o último esteja visivelmente sem ritmo de jogo).
Zico demonstra ser um dirigente que contrata mal. Isso eu também não questiono.
Até aí dá para entender que parte da imprensa esportiva (principalmente a carioca) pise em ovos para criticar seu trabalho.
Mas o silêncio da crônica (salvo raras exceções) diante de amostras de amadorismo do futebol rubro-negro sob o comando de Zico é imperdoável.
Demitir técnico para fazer média com a torcida é política ludopédica das mais rasteiras (passadas algumas rodadas, revelou-se outra opção desastrada).
Dinamite e sua trupe deram um show de amadorismo quando assumiram o Vasco, abusando de todos os erros possíveis. Para este escriba, suas trapalhadas foram decisivas para o rebaixamento do clube. Mas tinha o fator "Eurico".
Num hipotético, e para a felicidade dos rubro-negros, quase improvável rebaixamento do Fla, quem carregaria a culpa? Bruno?
Zico precisa ser questionado.
(Texto inspirado no estilo kfouriano de blogar)



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