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sábado, 30 de julho de 2011

O que podemos aprender com a imprensa espanhola

Imparcialidade (ou parcialidade) ainda é um caô-tabu na imprensa tupiniquim.

Ao passo que rejeitam os rótulos de Flapress, Gambápress, Bambipress e suas variações, periodistas brasileiros paradoxalmente perdem o pudor quando tratam o tema no jornalismo além-mar. 

Nesse quesito, invariavelmente citam as posições antagônicas dos diários esportivos espanhóis "As", "Marca" e "Mundo Deportivo". Os dois primeiros são alinhados a Madrid, enquanto o último é centrado na Catalunha. Em suas páginas, uma batalha diária de informação e desinformação na busca por corações e mentes, envolvendo Real Madrid e Barcelona.

Honesto, sobretudo.

Pior seria escamotar preferências, como é comum por aqui.


Eu mesmo, inocentemente, cansei de clamar por "imparcialidade" na cobertura futebolística carioca. Bobeira minha. Todo o jornalismo esportivo feito no Brasil herdou o estilo mariofilhiano, marcado por afetação (há quem chame isso de narração apaixonada).

Faz bem o jornal Marca Brasil, que deixa bem claro que seu carro-chefe, que o time que realmente importa é o Flamengo (não por acaso, uma franquia da publicação espanhola).

Já o tradicional O Globo vai na contramão, desfraldando a bandeira da imparcialidade, já impregnada em seu editorial.


MENGAlomania. Pelo fim da imparcialidade

Por isso, é no mínimo temerário deixar parte da cobertura do Flamengo nas mãos do ex-assessor de imprensa do clube (e autor de alguns livros sobre o Fla)

Corre o risco de virar mero house organ do time da Gávea. O que, por vezes, chegou a ser, sem qualquer pudor.

Não que Carlos Eduardo Mansur seja mau profissional. 


Tudo que escreve sobre o Flamengo tem traços megalômanos.

Para o bem do leitor, da imagem do jornal e do próprio jornalista, seria honestíssimo no rodapé de cada texto assinado por Mansur a informação de que ele é ex-assessor e entusiasta do Flamengo. O que, de fato, não é demérito algum.

O ex-chanceler alemão Otto Von Bismarck certa vez disse que "leis são como salsichas; é melhor não saber como são feitas". Jornalismo não é salsicha. O leitor que consome a notícia tem todo o direito de saber como e, principalmente, por quem ela é feita.

Pela quebra de paradigmas e pelo fim do mito da imparcialidade.

2 Comentários

Yuri disse...

Eu acho muito bom já saber de quem são os veículos, assim não me irrito mais.

UOL é são-paulino/palmeirense (na verdade, o time do portal UOL é ser anti-Corinthians, porque o que eles já fizeram NÃO TEM NOME) demais, fizeram manchestes VERGONHOSAS contra o Corinthians, coisa feia mesmo... no Observatorio da Imprensa mostra um texto que eles DISTORCERAM A TRADUÇÃO duma matéria do Daily Mail que falava do Corinthians, isso mesmo, e com base na distorção, fizeram a manchete. Veja se pode isso. As matérias mais belicosas NUNCA são assinadas, sempre um estagiário ou ressentido FDP. A covardia passa dos limites.


ESPN sem palavras. Trajano vira cidadão paulistano. Nas mãos de quem? Marco Aurélio Cunha. Vou parar aqui, né?

Folha é SPFC, MAIS anti-Palmeiras que anti-Corinthians (até me surpreendo, a Folha não nos odeia tanto! chupa porcada)... Alinhada com a diretoria são-paulina, aplaude o que P.S.(processo aqui não) um promotor do barulho, sempre faz. promotor este SPlino também e que tem uma raiva especial para com o Palmerda. Sem mais. Jornal familiar, não sai das mãos de 3 ou 4 tão cedo.

Marca é nosso. O resto do apoio nosso é televisivo, não cabe aqui. Marca faz um excelente trabalho, honesto, deixando claro quem é quem.

O Marca original é MUITO pró-Real Madrid, mas tanto, que acaba atraindo torcedores do mundo todo e é o jornal mais lido de futebol, com mais comentários. Chega a ser engraçado ver o quão eles são pró-Real Madrid, ver as manchetes depois de desaires ou vitórias épicas dos Merengues é obrigação.


Viva o Marca.

Acrescento o Sport.es, Douglas, EXTREMAMENTE barcelonista, catalão... o tom é sempre forte contra Madrid.

Marca original assumiu seu lado e amparado pelo anti-madridismo, é fodão, tem mais views que todos. Oa madridistas agradecem. Será que o mesmo ocorre aqui?

Douglas disse...

Esqueci: O Marca BR em SP é corintiano. O que faz muito bem, pois não engana o consumidor.

Engraçado que os brasileiros quando falam do jornalismo esportivo espanhol sempre adotam um tom de desdém.

Não entenderam que eles estão a anos luz do Brasil-sil-sil

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