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sábado, 30 de julho de 2011

O que podemos aprender com a imprensa espanhola

Imparcialidade (ou parcialidade) ainda é um caô-tabu na imprensa tupiniquim.

Ao passo que rejeitam os rótulos de Flapress, Gambápress, Bambipress e suas variações, periodistas brasileiros paradoxalmente perdem o pudor quando tratam o tema no jornalismo além-mar. 

Nesse quesito, invariavelmente citam as posições antagônicas dos diários esportivos espanhóis "As", "Marca" e "Mundo Deportivo". Os dois primeiros são alinhados a Madrid, enquanto o último é centrado na Catalunha. Em suas páginas, uma batalha diária de informação e desinformação na busca por corações e mentes, envolvendo Real Madrid e Barcelona.

Honesto, sobretudo.

Pior seria escamotar preferências, como é comum por aqui.

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Neymar é racista (mas ainda não sabe)

"O cantor de jazz" foi interpretado por um judeu. O japonês foi interpretado por um negro. Racismo é uma instituição democrática.


Só mesmo alguns aspectos culturais para sublimar a escrotidão politicamente correta à brasileira.

O minstrel show, um espetáculo em que atores brancos eram maquiados como negros e personificavam figuras rudes e primárias, foi abolido da cultura popular estadunidense com o Movimento do Direitos Civis.

Desde então, para os anglófilos ao redor do globo, um branco com o rosto pintado de preto é encarado como insulto racista.


Para os ingleses, é claro.

Brasil, um país de coitadinhos. E de ignorantes. E de racistas?

As diferenças culturais entre cá e lá, no entanto, servem para denunciar que toda a falácia racista adotada no Brasil é discurso de uma nota só. Ou de uma cor apenas.

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domingo, 24 de julho de 2011

O animalzinho silvestre da bola

Imprensa atirando no próprio pé. Graças às atuações de Thiago Neves a galera vendeu jornal no primeiro semestre

Quem acompanha o futebol carioca de perto sabe que a cabecinha de Thiago Neves nunca foi muito boa, mas tem coisa que é preciso relevar. 

O show de sinceridade demonstrado ao revelar que forçou o terceiro cartão, juntamente com Ronaldinho Globeleza, para não pegar o Ceará, em Macaé, e poder participar da  difícil sequência de jogos contra Santos, Grêmio e Cruzeiro, parece que não soou muito bem. 

Para quem faz jornal, a declaração de Thiago Neves é mais interessante do que qualquer fala asséptica concedida por Globeleza em mais de uma década de carreira.

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sábado, 16 de julho de 2011

Juca, o eurocentrista

Pensamentos reais e sentenças imaginárias do baluarte da intelligentsia ludopédica brasileira

Tá certo que os modernistas Pau-Brasil e verde-amarelistas fizeram muita merda. Mas os eurocentristas eugenizadores jamais devem subestimar a incompetência tupi. Basta ver o que fizemos com a burocracia weberiana chucrute.

A verdade inconveniente é que o brasileiro não gosta tanto de futebol quanto pensa que gosta. Pobre garoto Juca.

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domingo, 3 de julho de 2011

O Van Gogh da relva

Injustiçado como Van Gogh e usando elementos recorrentes para fazer arte como Pablo Picasso
(Imagem: ArtFlu)

Estranho como ainda questionam o futebol de Conca por aqui. Logo aqui, em que jogadores meia-boca são alçados à condição de gênios da bola na mesma escala industrial em que os ingleses produzem a "melhor banda de todos os tempos da última semana". Ao inferno com os míopes. Eugène Atget, Vincent Van Gogh e Franz Kafka foram igualmente contemplados com a ignorância dos bárbaros em seus tempos - o argentino, definitivamente, está em boa companhia.

Com o futebol moderno perdido entre penteados escrotos, comemorações estapafúrdias e bregas badalações extra-campo, deve ser difícil arrumarem espaço na resenha esportiva para um jogador clássico como Conca. Clássico no sentindo literal da palavra, quase démodé. Porque para entender o jogo do eterno ídolo tricolor é preciso deixar as transmissões televisivas de lado. A urgência do videoteipe não faz jus à técnica frugal do argentino. Para entendê-la, é preciso apreciá-la com parcimônia nas arquibancadas, como um disco de Miles Davis ou John Coltrane. Não é indicado aos iniciantes. Para esses, resta o consolo da arte óbvia do craque do momento, sempre numa prateleira perto de você.

Mais revelador, no entanto, é que entre os dribles primorosos, tentos e assistências inimagináveis (algumas convertidas em gols e outras tantas desperdiçadas por seus companheiros), o que não sai da minha memória é sua heróica e solitária resiliência quando todos já davam como favas contadas o rebaixamento do Fluminense em 2009, antes daquela caminha histórica que forjou o Time de Guerreiros - que agora, com a saída de seu maior artífice, virou literatura.

Esse respeito pelo torcedor e pelo esporte faz lembrar o gênio de Nicolau Copérnico. O astrônomo polaco plantou as sementes do heliocentrismo, ao defender que os corpos celestes giravam ao redor do Sol, e não da Terra como teorizavam  Aristóteles e Ptolomeu. Conca sabe que sua arte, diferentemente de tantos astros orbitando em seus respectivos umbigos, reverencia e gira em torno de algo maior, o futebol. Embarcando numa paráfrase propagandística: se para cem penteados de mau gosto dentro de campo houvesse um Conca, o esporte seria mais bonito de se ver. Há razões para acreditar. Muito obrigado, Conquinha.

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