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domingo, 14 de agosto de 2011

A saideira do caipisaquê

É a última vez que gasto linhas aqui para comentar a "matéria" dos 60 caipisaquês, mas, passada semana e meia, parece que o ciclo se fechou e, infelizmente, faltou culhão ao veículo para reconhecer os próprios erros no lamentável episódio. 

Na edição on-line, o repórter deixava pistas toscas numa série de atos falhos, mas agora temos o por quê: segundo Fred, o autor da matéria seria cunhado e tio dos torcedores envolvidos no caso.

"Tentativa de despistar a galera" Durante dias questionei que raios de tal era essa "galera". Depois que Fred escrachou a relação repórter/ torcedores, finalmente entendi: estava tudo em casa


Pior é constatar no relato defensivo de quem cometeu a lambrança jornalística mais tropeços na apuração e na forma como a "notícia" foi veiculada.

Segundo Caio Barbosa, durante o trabalho de apuração, "outro funcionário com a nota fiscal na mão. Foi listando o que tinha sido consumido, com o preço de cada coisa. Perguntei sobre os caipi-saquês. Ele falou: 'Sessenta'. Perguntei: 'Cravado? Nem 61, nem 59?'. Ele: 'Cravado. As mulheres beberam suco e água, tá aqui'. E me mostrou a nota. Perguntei se poderia fazer foto da conta e ele respondeu: 'Aí, você vai me quebrar com o patrão'"

Ora, se o jornalista tinha o número exato de bebidas consumidas por Fred e sua turma (como o jornal veiculou jocosamente), por que tantas derrapadas nos números no momento de noticiar?

Se o repórter alegou ter o número exato de bebidas durante a apuração, por que na primeira matéria sobre o ocorrido (carregada de sensacionalismo)  cravou MAIS de 60 caipisaquês? "Mais de 60" não são 60

Em matéria posterior, novamente cambaleia nos números:

"Cerca de 60 caipisquês". Mas não eram 60 cravados? Parece que não é somente o relato do jogador que tem inconsistências...

Como prega um certo aracnídeo, "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades". É preciso deixar de lado questões pessoais e buscar algum equilíbrio para evitar aberrações jornalísticas como essa (que, afinal, deve ter saciado a sanha de inúmeros desafetos que o artilheiro cabeça fraca deve ter no meio). No fim das contas, a falta de profissionalismo de Fred não pode justificar a postura tendenciosa da imprensa. 

Porque até para fazer sensacionalismo é preciso competência e responsabilidade.

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domingo, 7 de agosto de 2011

RMP não leu os "Princípios editoriais das Organizações Globo"

Reprodução

De fato, RMP tem razão - dependendo da forma de ver jornalismo de cada um. Mas isso não quer dizer que a matéria dos 60  caipisaquês não seja uma aberração, um caso pontual para ser discutido na cadeira de Ética, nas escolinhas de Comunicação. Talvez, o polêmico colunista não tenha lido na íntegra os "Princípios editoriais das Organizações Globo". Vamos a alguns trechos:
1) A isenção:
x) Denúncias e acusações, feitas em entrevistas por pessoas devidamente identificadas, que desfrutem de credibilidade, seja pelo cargo que ocupam, seja pela história de vida, podem ser publicadas, sem investigação própria, mas, necessariamente, acompanhadas pela versão dos acusados, de preferência no mesmo dia, quando estes se dispuserem a falar. Denúncias feitas em entrevistas por pessoas sem credibilidade, como criminosos, por exemplo, mesmo se identificadas, devem ser exaustivamente investigadas, antes de serem publicadas;
2) Diante do público:

c) Nenhum veículo das Organizações Globo fará uso de sensacionalismo, a deformação da realidade de modo a causar escândalo e explorar sentimentos e emoções com o objetivo de atrair uma audiência maior. O bom jornalismo é incompatível com tal prática. Algo distinto, e legítimo, é um jornalismo popular, mais coloquial, às vezes com um toque de humor, mas sem abrir mão de informar corretamente;
i) Pessoas públicas – celebridades, artistas, políticos, autoridades religiosas, servidores públicos em cargos de direção, atletas e líderes empresariais, entre outros – por definição, abdicam em larga medida de seu direito à privacidade. Além disso, aspectos de suas vidas privadas podem ser relevantes para o julgamento de suas vidas públicas e para a definição de suas personalidades e estilos de vida e, por isso, merecem atenção. Cada caso é um caso, e a decisão a respeito, como sempre, deve ser tomada após reflexão, de preferência que envolva o maior número possível de pessoas;
SEÇÃO III
OS VALORES CUJA DEFESA É UM IMPERATIVO DO JORNALISMOAs Organizações Globo serão sempre independentes, apartidárias, laicas e praticarão um jornalismo que busque a isenção, a correção e a agilidade, como estabelecido aqui de forma minuciosa. Não serão, portanto, nem a favor nem contra governos, igrejas, clubes, grupos econômicos, partidos. Mas defenderão intransigentemente o respeito a valores sem os quais uma sociedade não pode se desenvolver plenamente: a democracia, as liberdades individuais, a livre iniciativa, os direitos humanos, a república, o avanço da ciência e a preservação da natureza.

Não é nada, não é nada. A única lástima é que as acusações do jogador sobre alguns profissionais do conglomerado não tenham sido levadas em consideração. Jornalista que arma flagrante auxiliado por vândalo organizado não é notícia?

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A casa caiu?

Jornalão acuado dá nisso.

Enquanto tentam ao máximo não ter que justificar o injustificável, a "turma do Extra" segue patinando no caipisaquê.


Textinho cheio de cascas de banana (não sei se proposital ou não), um prato cheio para os brasilóides de QI subdesenvolvido.

Reprodução
Quem tem dificuldades em interpretar textos (parte do público-alvo do diário) pensará "pô, sou tricolor. Esse babaca tá me chamando de marginal".

Golpe baixo que mentes mais preparadas notarão de primeira.

Mas quem seriam os "marginais" a que Fred se refere?

Dois deles, segundo o noticiário, seriam Leandro de Carvalho Moraes e Piero Martins de Carvalho. 

Uma breve googada nos nomes, temos algumas pistas de quem são (é, a internet sabe muito sobre você):
Quanto a Piero Martins, acabei achando algo mais interessante:


De acordo com matéria do Marca BR, Martins afirma que não abordou ou perseguiu Fred. Se a declaração for retrato fiel do acontecido, o relato da "turma do Extra" tem grandes doses de ficção. Ou vai ver que o atacante tricolor é um fenômeno: surfista criado na Lagoa da Pampulha e piloto com reflexos de aço, que promove perseguições em altíssima velocidade em estado etílico lastimável.

Quando mais mexem, mais fede a coisa.

Mas o melhor mesmo foi a nota da redação, ao fim da matéria. 

Reprodução
Desesperado, o diário carioca entra em dupla contradição. 

Vândalos? Não foi Fred que começou a entrevista "tratando os torcedores como marginais"? A "turma do Extra" endossa as palavras do atacante? Então é melhor começarem a se coçar para explicar a ligação entre jornalistas e vândalos explicitada na queixa do jogador.

Afinal, se recorrermos à matéria original que saiu na edição on-line, temos um ato falho tenebroso, depois de praticamente tratar os torcedores que perseguiram o atacante como heróis.

Reprodução
Galera? Só se for a galera da "turma do Extra". Eu não ando e não sou cupincha de gente que faz perseguições automobilísticas à noite.

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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Como destruir a credibilidade de uma matéria em sete passos


Se Fred e Fluminense tivessem uma assessoria mais 'ixperta', isso não aconteceria.

1 -  O texto é assinado por um repórter que tem má vontade pública com o jogador. Pior, por um cara que cogitou beber Skol 360.

2 - A fonte primária é - vejam só - presidente da torcida Young Flu, Leandro Carvalho, o Campinho. O mesmo que tempos atrás colocou Diguinho pra correr em plena Laranjeiras. Quem assina a matéria sabe muito bem quem se trata

Para escrever sobre pinga, pelo menos tem que entender do que se bebe. Caipisaquê igual a caipirinha com cachaça? Só se você cogitar beber Skol 360 alguma vez na vida
3 - Caipisaquê NÃO tem o mesmo teor alcoólico de uma dose de cachaça. Por isso, é considerado uma bebida feminina (porra, Fred!). A ideia é justamente essa, substituir a pinga nacional por um destilado mais fraco. Tive de ligar para o tal Bar Astor para perguntar sobre o saquê utilizado (dependendo da fabricação da bebida, realmente há possibilidade de um grau alcoólico maior): a resposta do outro lado da linha foi "o saquê usado é bem fraquinho". Se alguém puder ir ao Bar Astor confirmar, ficaria agradecido. 


5 - A história é cheia de pontos cegos. Vamos abraçar a tese do jornal, de que o caipisaquê é uma bebida de teor etílico semelhante ao da cachaça. Mais de 60 caipirinhas numa mesa com oito pessoas. Se tirarmos o "mais", ficarmos com 60 e dividirmos por oito: são sete doses e meia por cabeça. Um indivíduo do sexo masculino, com o peso de Fred, consumindo sete doses e meia de caipisaquê em duas horas fode de vez com a taxa de alcoolemia. O jogador não teria a mínima condição motora de protagonizar  uma perseguição automobilística nas ruas de Ipanema e Leblon. Isso é algo tão factível quanto a "teoria da bala mágica" que vitimou John Kennedy.

Se eu beber duas cervejas, mas a minha "turma" entornar todas, posso ser visto como cachaceiro? Sim. A linguística é capaz de coisas do arco da velha
6 - A linguística - numa explicação tosca e rápida seria a mensagem que está sendo transmitida na notícia, por meio da linguagem (visual e escrita) e abordagem empregada - a todo momento tenta passar a idéia de que "Fred é cachaceiro". Curiosamente, a questão Fred x bebida é martelada ad nauseam no twitter do repórter

7 - Fred pode fazer o que quiser em sua folga. O PROBLEMA É DELE. Cabe ao empregador fiscalizar e cobrar melhor postura de seu empregado. O clube é uma associação privada. Já imaginou leitor perseguindo jornalista na night porque o excesso de bebida tem prejudicado o trabalho primário de apuração? 

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Jornalismo é conflito

Números no jornalismo são usados apenas para justificar a pré-concepção de uma idéia. Nunca vão usar números para jogar contra o discurso já estabelecido. Reflexo do que é ensinado nas escolinhas de Comunicação. A molecada está mais preocupada em fazer lide a perder tempo com a motriz da atividade jornalística: questionamento.

Os poucos gatos pingados que acompanham este espaço estão cientes da minha má vontade com Ronaldinho Gaúcho (e Muricy, é claro!). O faço porque jornalismo - mesmo no oba-oba esportivo - é espaço para conflito. O jornalista é inimigo. N.M.E. como bem definiu a banda fictícia Stillwaters, em Quase Famosos.

Não é o que acontece por aqui, com uma porrada de repórter-miguxo de boleiro.

Mas não se pode colocar na conta da amizade promíscua a nova onda de "Ronaldinho é Seleção".

Até Juca Kfouri, essa sumidade da crônica esportiva nacional, sentenciou no último Troca de Passes, da ESPN Brasil, "Se Ronaldinho continuar jogando assim, vai para Seleção. E com a faixa de capitão".

Para Kfouri - e mais um monte de gente - este é o modelo de líder técnico e moral para a Seleção Brasileira (Imagem: Reprodução da Internet)

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